
Por Aguirre Talento, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – A segunda proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro incluiria, segundo relato da revista Veja, uma acusação de pagamento de propina ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O dono do Banco Master teria oferecido aos investigadores para fechar o acordo mencionar uso de conta no exterior para repassar recursos ao senador do Amapá.
De acordo com a revista, o banqueiro fez um pagamento de US$ 30 milhões, o equivalente hoje a cerca de R$ 153,5 milhões. A cifra fora depositada numa conta secreta e repassada a Alcolumbre em troca de apoio para assuntos de interesse de Vorcaro. A revista Veja diz que a operação financeira foi feita por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
Nesta quinta-feira (11), a Polícia Federal enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) manifestação informando ter rejeitado a proposta de delação de Vorcaro. O conteúdo da proposta de acordo do banqueiro ainda está em análise na Procuradoria Geral da República. O procurador-geral, Paulo Gonet, orientou à sua equipe analisar o material com cautela e não tem um prazo definido para finalizar essa análise.
A avaliação dos investigadores da Polícia Federal foi que as informações apresentadas pelo dono do Banco Master não traziam novidades diante das provas colhidas na investigação, como do próprio telefone celular de Vorcaro.
Outro capítulo do acordo de delação, conforme divulgado pela revista, seria destinado a falar sobre negócios do Master com integrantes do governo da Bahia. O citado é o ex-ministro e ex-governador baiano Rui Costa.
Não há referência sobre pagamento de propina, mas haveria promessa de relato do banqueiro sobre como ele manteve em funcionamento um sistema de empréstimo consignado vinculado à folha de pagamento dos servidores estaduais.
A primeira proposta apresentada por Vorcaro havia sido rejeitada em 20 de maio. Na ocasião, a PF rejeitou o material, mas a PGR demonstrou disposição em dar prosseguimento às negociações e receber complementos.
