
A preocupação com a violência dentro das escolas se torna cada vez maior em todo Brasil. O caso ocorrido nesta segunda-feira, numa escola particular da Manaus, mostra que o perigo está em todo país. Isso exige medidas urgentes e eficazes para garantir a segurança dos alunos, professores, servidores e demais trabalhadores das instituições de ensino do país.
No dia 27 de março deste ano, um menino de 13 anos esfaqueou quatro professoras e um aluno, dentro da própria escola Thomazia Montoro, que fica na Vila Sônia, em São Paulo. Uma das professoras não resistiu aos ferimentos e faleceu. O mesmo aconteceu numa creche em Blumenau. Um jovem de 25 anos, usando um machado, tirou a vida de quatro crianças, todas com menos de sete anos de idade. Já em Manaus, um adolescente de 12 anos feriu com uma faca três alunos da escola Adventista. Por sorte nada de mais grave ocorreu.
Além disso, circulam notícias de que grupos estariam se organizando para fazer ataques sincronizados, relembrando o massacre de Columbine, escola de ensino médio dos Estados Unidos, em 1999. Verdade ou não, é preciso que o Poder Público investigue essas denúncias e tomem as providências cabíveis e necessárias para se evitar novos ataques violentos no estado em todo o país. Os ocorridos nos últimos dias podem ser apenas o começo. Espero que não.
Dados publicados no dia 28 de março deste ano, no Monitor do Debate Político no Meio Digital da USP, apontam que desde 2002 o Brasil já sofreu 22 ataques em escolas. Com o de hoje esse número sobe para 23. Desse total, dez ocorreram nos últimos 13 meses, nove somente no ano passado. São 24 estudantes que morreram, além de quatro professores e dois profissionais de educação. A média de idade dos suspeitos que cometeram os crimes é de 16 anos.
Mas qual a motivação para essa violência? O que tem levado essas pessoas tão jovens a cometerem esses crimes? Penso que as respostas para esses questionamentos são o cerne do problema. É preciso saber o que acontece social e psicologicamente com a sociedade, que tem levado tantos jovens e adolescentes a cometer atos brutais nas escolas brasileiras.
Segundo o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Daniel Cara, que a coordenou uma pesquisa sobre o tema, os casos violentos devem ser classificados como extremismo de direita, já que a pesquisa apontou que adolescentes são aliciados por grupos neonazistas a apoiarem a ideia de supremacia branca e masculina. Além de estimularem a realização de ataques, discriminação, preconceito, o uso de força e agressividade.
Portanto, é responsabilidade do Estado, das Instituições de Ensino e de toda sociedade ajudar a coibir ações e atitudes extremistas. Como também cuidar da segurança dos estudantes e trabalhadores da educação.
É urgente o serviço de psicologia nas escolas para atender alunos, uma vez que muitos são vítimas de bullying. Como também atender os profissionais de educação. Por isso, apresentei Projeto de Lei obrigando a contratação de psicólogos e assistentes sociais em toda rede de ensino do país.
Mas também é responsabilidade dos pais e da família monitorar, observar e tomar conhecimento do conteúdo de internet que os jovens estão consumindo em casa, pois o Poder Público não tem como chegar nesses espaços. E o diálogo fraterno com os filhos e filhas é essencial para formar pessoas que respeitem e valorizem a vida.
Chega de violência, dor e sofrimento. Queremos paz na escola e em toda sociedade.
José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.
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