
Do ATUAL
MANAUS — “Estamos diante de um dos casos mais violentos e brutais do Estado do Amazonas”, afirmou o promotor de Justiça André Epifânio Martins, nesta quarta-feira (27), ao comentar o julgamento de Gil Romero Machado e José Nílson Azevedo da Silva, réus pelo homicídio de Débora da Silva Alves e do bebê que ela esperava.
Os réus começaram a ser julgados nesta quarta-feira pela 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus. O crime ocorreu na madrugada do dia 30 de julho de 2023 nas proximidades da Usina Termoelétrica Mauá 2, no bairro Mauazinho, zona leste da capital.
De acordo com a acusação, Débora, que estava grávida de oito meses, foi asfixiada com um fio elétrico. Em seguida, os acusados colocaram o corpo da vítima em um tonel e atearam fogo. Após a saída de José Nílson do local, Gil Romero abriu o abdômen da vítima, retirou o bebê e colocou o corpo da criança em um saco plástico, que foi jogado no rio.
Segundo o promotor André Epifânio Martins, o Ministério Público buscará a condenação máxima dos acusados. Ele explicou que o julgamento deve durar até três dias e que as penas podem chegar a 30 anos de prisão.
“O Ministério Público defende a coautoria. Ambos participaram de forma ativa e permanente nesse crime. Então, nós pretendemos que seja aplicada a pena máxima para os dois”, disse o promotor.
André Epifânio também disse que, como o crime ocorreu em 2023, os réus responderão por qualificadoras de feminicídio. “São várias qualificadoras, tentaremos aplicar pena máxima”; as penas são de 12 a 30 anos de prisão”, afirmou.
Ao comentar a gravidade do caso, o promotor também ressaltou o impacto causado à família da vítima. “A vítima, grávida de oito meses, foi violentamente assassinada pelo comparsa, pelo Gil [Romero]. O que o Ministério Público espera é que seja feita a justiça, que haja a devida reparação à família da vítima, que está profundamente consternada com esse caso horrendo, com esse caso grave. Será um julgamento longo, um julgamento complexo”, afirmou.
Família acompanha julgamento
Antes de iniciar a sessão de julgamento, familiares, do lado de fora do fórum, afirmaram que foram impedidos de acompanhar a sessão. Emocionada, a avó da vítima desabafou e disse ser uma “falta de consideração por ela”. Ela relatou que foi uma das últimas pessoas que a neta viu antes de ser morta.
“Eu queria ao menos ver, queria assistir. Parece que tiraram meu coração aqui. Não deixaram eu entrar. Eu queria assistir, queria olhar na cara dele […] Eu ia perguntar para ele o porquê de ele ter feito isso com ela”, disse a avó de Débora, emocionada.
Ela pediu justiça pela neta e relatou que perdeu um filho, “mas não foi tanto de crueldade como ele fez com minha neta” .
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