
O artigo “A Economia Invisível da Amazônia”, escrito pelo economista Adu Schwade em agosto de 2011, permanece atual. Aliás, na Amazônia, parece que o tempo corre diferente. Esse assunto já foi tema de redação do Enem. Mas, voltando ao texto, Adu relata que durante a história de conquista e ocupação da Amazônia os indígenas estabeleceram um sistema econômico baseado no manejo dos ecossistemas naturais e em cultivo capazes não apenas de coexistirem com ecossistemas naturais, como também de enriquecê-los.
Aliado a isso, desenvolveram redes de intercâmbios de produtos bastante sofisticados, como o Manako, que nesse sentido representa e compreende a vivência das relações, de trocas praticadas por diversos povos dos rios Purus e Juruá. A palavra também poderia ser utilizada como revanche ou vingança, segundo alguns pesquisadores.
Essa diversidade foi possível graças ao desenvolvimento de tecnologias de manejo e de cultivo. Centenas, talvez milhares de espécies vegetais, foram domesticadas, entre elas, a macaxeira, o milho, o tomate, a batata, a pupunha e tantas outras. Também se criou tecnologia de utilização de diversos outros produtos, como o açaí, a bacaba, o buriti e a copaíba.
Resgato esse texto para exemplificar aquilo que já defendo há vários anos: a Amazônia possui sua força e riqueza em seus produtos regionais e na natureza. Não podemos ficar somente na dependência de um único sistema econômico. É necessária a experiência, as relações de trocas, o conhecimento e a união de todos para buscarmos os melhores resultados, não somente para o Amazonas, mas para a Amazônia. Diria até que devemos fazer um Ajuri, ou seja, um verdadeiro levante, estabelecendo relações do trabalho coletivo e não de disputas políticas por seus pedaços.
Falo, principalmente, na defesa da Zona Franca de Manaus e na disputa pela Suframa, um dos mais importantes órgãos para a sua manutenção e para desenvolver novas matrizes econômicas de nossa região.
Já em 2011 verificava-se que vivíamos num paradoxo entre “os dados econômicos oficiais e a situação de bem-estar da maioria da população amazônica”, segundo Adu Schwade. Não podemos mais depender desse processo de incertezas.
Não podemos ficar apenas inertes e fechar os olhos para as oportunidades que se avizinham com o Governo Lula. Aqueles que são contra o modelo Zona Franca de Manaus, contra o desenvolvimento da região amazônica e, por outro lado, defendem a exploração sem respeito ao meio ambiente e às nossas riquezas, ainda estão ávidos por sua contínua degradação. Cabe a nós, amazônidas, fazermos nosso puxirum e, num esforço coletivo, dar rumo e linha para as políticas de interesse e de benefícios para a região e a população que aqui vive.
Como diz o ex-deputado Praciano, o Brasil tem que cobiçar a Amazônia: dar atenção e cuidar dos povos; ter a presença do Estado e das estruturas públicas no interior da Amazônia, realizando os investimentos necessários, sobretudo, na saúde, na educação, na segurança, na ciência e tecnologia e na comunicação, com internet, além de logística e de transporte E que haja muito mais efetivos das Forças Armadas, do Exército, nas regiões de fronteiras, para assegurar a segurança e enfrentar o narcotráfico e a biopirataria, garantindo a soberania nacional.
No momento em que se discute nomes para ocupar importantes espaços políticos em órgãos da região, devemos ficar atentos para que daqui mais 10 anos não estejamos relembrando artigos do passado que apontam quais serão nossos erros no futuro.
José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.
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