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© 2022 Amazonas Atual
José Ricardo

Turismo como estratégia para o desenvolvimento

30 de julho de 2020 José Ricardo
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tiago paiva

Em 2018, o Amazonas recebeu um volume de mais de 607 mil turistas, um crescimento de 3,67%, em relação ao ano anterior, sendo que mais de 90% vieram para Manaus, segundo informações da AmazonasTur. Mas podia estar atraindo muito mais, do total de 6,6 milhões que circulam anualmente no país, se os gestores públicos olhassem o turismo como uma área estratégica e prioritária para o desenvolvimento. Manaus é porta de entrada da Amazônia e desperta olhar no mundo inteiro. Mas precisa priorizar esse setor e valorizar suas riquezas naturais.

Esta semana, realizei reunião virtual com empreendedores, trabalhadores e especialistas na área do turismo, para a construção de um Plano de Governo para Manaus (2021-2024) democrático e participativo, enquanto pré-candidato a prefeito de Manaus, pelo Partido dos Trabalhadores (PT).  Muito se falou da potencialidade da capital amazonense como cidade turística, mas também dos vários problemas de infraestrutura e de falta de atrativos para alavancar o turismo local e gerar mais empregos e oportunidades.

Ouvi de uma participante que ‘a cidade só é boa para o turista, se é boa para todos os moradores’. E concordo. Temos muitas deficiências de infraestrutura, que penalizam todos os dias a população, os turistas e os profissionais que vivem desse setor. Cito a desorganização nos portos, para quem viaja para o interior ou passeia de barcos e navios; transporte coletivo ruim; e pouca estrutura no Centro da cidade, considerada insegura e com pouca iluminação para quem lá transita à noite. Não temos serviços de apoio suficientes e os nomes Amazônia e Amazonas são muito pouco explorados.

Manaus é banhada pelo rio Negro, afluente do rio Amazonas, considerado o maior do mundo. No entanto, está de costas para essa orla exuberante. Há um grande descompasso entre as belezas naturais e a atração turística, quando lembramos que a capital é a 18º em movimento de passageiros do Brasil, atraindo apenas 1,4% dos voos nacionais e internacionais. O Aeroporto Internacional Eduardo Gomes tem capacidade para 13,5 milhões de passageiros, mas é utilizado por apenas 3 milhões. Os aeroportos de cidades pequenas, como Vitória e Florianópolis, têm muito mais movimento do que o de Manaus, que é considerada a 7ª cidade mais populosa do país. Esses dados são chocantes, e revelam quanto há para crescer em termos turísticos.

Também me reuni com os empresários do turismo, do segmento de hotéis e agências de viagem. Apontam que o turismo não pode se desenvolver com uma cidade com pouca acessibilidade aos turistas estrangeiros, e com poucos atrativos de apelos naturais. O que Manaus mostra aos que lhe visitam são igarapés poluídos, ruas sujas e quase sem arborização.

O turismo é uma das atividades fundamentais para proporcionar desenvolvimento. Tem uma série de ações que precisam envolver o poder público, para ampliar seu leque de atividades. Quando deputado estadual, apresentei projetos e emendas à Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) e ao Plano Plurianual (PPA) para investimentos no setor.

Mas o Estado do Amazonas conta com um fundo especialmente criado para fomentar o turismo: o Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento (FTI), composto por um percentual do faturamento das empresas incentivadas da Zona Franca de Manaus (ZFM). Em 2019, o FTI acumulou cerca de R$ 600 milhões, suficientes para investimentos no setor. Devido a dificuldades do Governo Estadual, grande parte desses recursos foi destinada à saúde e outras áreas.

Temos que somar as vozes para que esses recursos sejam investidos nessa área, criando oportunidades e valorizando os trabalhadores, como os guias de turismo, que estão passando por muitas dificuldades financeiras, por conta da paralisação de todas as atividades turísticas no país e na região nessa pandemia. E reforço: Manaus precisa de uma gestão municipal que veja o turismo como uma área estratégica e prioritária para o seu desenvolvimento.


José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Amazônia, José Ricardo Wendling, turismo
Cleber Oliveira 30 de julho de 2020
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