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Igor Araujo Lopes

Travessia caolha – parte II

3 de abril de 2016 Igor Araujo Lopes
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“Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”

Que a busca obstinada pelo real, o grande sertão filosófico de Guimarães Rosa, e de cada dia, cutuque a mesmice do pensar sem refletir.  Olhando o desfile dos fatos,  como decifrar para além da lógica do crime e do castigo,  a sentença de Lula, Lewandowski ou Sarney, se em cada um de nós o julgamento está condicionado aos modelos de bandidos e mocinhos impostos pelos quadrinhos da informação digital? Para qualquer investigado, ou não, preso, ou premiado por esquemas de delação ou embromação, está  faltando rigidez institucional nos processos que conduzem a esse fim. A quem cobrar uma justiça de fato e de direito  para qualquer um dos  lados do maniqueísmo em questão? O que estará evidente é o risco e o prejuízo da parcialidade e da seletividade das instituições. A corrupção em nome do combate à corrupção não passa de deslavada hipocrisia e mais um duro golpe na democracia. Tais exemplos servem para ilustrar a moral seletiva da tábua de valores individuais predominantes. Focar reclamações num único grupo político, a rigor, se presta a camuflar as peripécias de outros, promotores indiretos da movimentação.

E o resultado imediato de tudo isso,  claro para alguns e imperceptível para a maioria, é a abdicação do pensamento crítico. Assim não procedendo, abrimos espaço para soluções/opiniões assustadoras que emergem em algumas manifestações. Pedidos de volta a ditadura, além de insensato e a-histórico mostram falta de informação e, no limite, de caráter, ou de saúde emocional borbulhando. Bandeiras do Brasil podem apresentar/representar  um nacionalismo burro e perigoso, xenófobo, fundamentalista, irracional,  já  identificados  no século XX na história de outras nações e com fins catastróficos e heranças genocidas. Foi essa irracionalidade que criou Hitler, Franco, Mussolini… para ficar em alguns exemplos. Uma confusão que se apropria  da utilização burra de camisetas da seleção brasileira com o símbolo da CBF estampado, uma instituição mafiosa e oligárquica, com  poderes transformados em processos criminais em fóruns internacionais.

Cabe preparar e construir a movimentação política de olho em 2018 pois importa nutrir a  expectativa de que, até lá,  a democracia continuará sendo respeitada e a maturidade política do país mais apurada, na gestação de um novo projeto de organização e mobilização das forças progressistas. Que se supere  a proposta populista do PT, se seus  acordos estranhos e alianças espúrias com grandes empreiteiras para se manter no poder… Esse momento demanda  imensa criatividade política e  consciência crítica  vanguardista a se reinventar, olhando um futuro distante, sem desprezar  a inspiração ancestral dos clássicos que interpretaram a história das travessias e da transformação.  O  mundo real continua em crise, ou seja, adubando o terreno para a virada  histórica e radical a demonstrar que uma  vida sem ideias em ebulição não vale a pena ser vivida ao menos que a construção do tédio seja uma razão. Um mundo sem contradições simplesmente não existe, portanto a hora é agora de fomentar a multiplicidade de pensamentos, questionamentos e proposições…

As contradições continuam a mover a história, dessa forma a presença delas nas relações entre os discursos se fazem imperativas e essenciais,  para assegurar o avanço, superando paradigmas da adesão sem reflexão. O debate é importante, e a discordância é primordial.. A falsa dicotomia entre petralha e coxinha é pobre e desfavorece o debate inteligente e impede a libertária travessia e a poesia…


Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Crise, Igor Araújo Lopes, Real
Valmir Lima 3 de abril de 2016
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