
Por Iolanda Ventura, da Redação
MANAUS – Os processos envolvendo o tráfico de drogas em Coari (a quilômetros de Manaus) e as investigações de corrupção têm sobrecarregado as promotorias de Justiça do MP-AM (Ministério Público do Amazonas) na cidade, e obrigaram a Procuradoria Geral de Justiça a mudar a estratégia de trabalho.
Nesta segunda-feira, 19, a procuradora-geral de Justiça do Amazonas, Leda Mara Albuquerque, esteve em Coari para instalar força-tarefa que investiga suspeitas de improbidade administrativa na cidade.
Em entrevista no fim da tarde, na sede do MP-AM, Leda Albuquerque falou sobre as duas principais demandas das duas promotorias de Coari. “É uma comarca extremamente complicada do ponto de vista da improbidade administrativa e do ponto de vista criminal também. Vocês sabem, são conhecedores dos problemas que Coari vive com o tráfico de drogas”, disse.
Os casos de improbidade se acumularam ao longo das diferentes gestões, segundo a procuradora. “Nós temos inúmeros processos que versam sobre improbidade administrativa, sobre corrupção, sobre desvio de dinheiro público, são muitas demandas que foram se acumulando à medida que os gestores foram passando”, informou Leda Albuquerque.
Nova promotoria
A procuradora-geral anunciou a intenção do Ministério Público de ampliar a estrutura do órgão na cidade, criando uma promotoria específica para cuidar do que ela chama de “demanda extrajudicial”.
“Não é simples trabalhar na comarca com apenas dois promotores de Justiça, daí o nosso propósito não só de criar essa força-tarefa como forma de resolver esses problemas enfrentados pelo Ministério Público na cidade, mas também aumentar a estrutura. Nós estamos pensando no aumento da estrutura do Ministério Público na comarca”, afirmou.
Com a nova promotoria, haverá um responsável específico para tratar de processos ligados à corrupção e assim, desafogar o sistema, explica Leda Mara. “Então a ideia é criar um promotoria extrajudicial, para que os procedimentos extrajudiciais sejam tratados especificamente por um promotor. Porque acaba que, como existe uma demanda muito grande em relação a essa temática [tráfico de drogas], os promotores de Justiça que atuam em Coari têm uma rotina diária de trabalho que importa na participação em audiências, que importa na atuação de processos judicializados, das ações judiciais, e isso de alguma forma tira o foco de um trabalho que é de igual modo importante, que é o combate à improbidade administrativa, o combate à corrupção”, destacou.
Grupo de Trabalho

A força-tarefa é constituída por promotores e técnicos, com previsão para concluir os trabalhos em até dois meses. “Nós temos quatro promotores, três técnicos entre técnicos jurídicos e técnicos de outras áreas, como contador por exemplo, e temos três pessoas da assistência da integridade dos colegas na comarca”, afirmou. “Vão ficar até o final dessa semana e vão realizar um trabalho inicialmente previsto para ser concluído em 60 dias”, completou a procuradora-geral.
Esta já é a quarta vez que o Ministério Público desloca um grupo para Coari com o objetivo de reforçar os trabalhos de investigação na região. “Não é a primeira vez. Nós já tivemos três, essa é a quarta comissão que é instalada no sentido de dar esse reforço, de dar esse suporte ao trabalho dos promotores de Justiça que atuam na comarca de Coari”, destacou Leda Albuquerque.
Nesta segunda-feira, 19, o grupo de trabalho definiu a metodologia que será aplicada nas investigações e já começou a trabalhar nos procedimentos extrajudiciais.
