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Economia

Terra seca e agronegócio vê ‘evaporar’ produção no Rio Grande do Sul

14 de janeiro de 2022 Economia
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Soja em grãos
A soja é um dos produtos afetados pela estiagem no Rio Grande do Sul (Foto: Mapa/Divulgação)
Por Fernanda Canofre, da Folhapress

PORTO ALEGRE – As perdas nas lavouras de milho e soja para produtores rurais do Rio Grande do Sul, devido a estiagem no estado, devem passar de R$ 19,7 bilhões, segundo previsão da FecoAgro-RS (Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul).

O cálculo das perdas financeiras no chamado VBP (Valor Bruto da Produção) considera a expectativa inicial de produção pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e o percentual de perdas divulgado até a semana passada pela área técnica da federação, considerando o preço médio dos produtos em 2022.

“Estamos usando o preço pago ao produtor porque é o produtor que perdeu, por enquanto, depois o complexo econômico irá perder. Por enquanto, é o produtor que deixou de produzir”, explica o presidente Paulo Pires.

Com base nos dados disponibilizados até a semana passada, a estimativa da FecoAgro era de que a perdas dos produtores pudesse passar de R$ 19,7 bilhões apenas nas safras de milho e soja, culturas mais afetadas pela falta de chuvas, num quadro que se agravou desde dezembro de 2021.

A previsão era de que a lavoura de soja tivesse perdas em torno de R$14,3 bilhões, enquanto no milho chegaria a R$5,4 bilhões, de acordo com a entidade.

“Nós avaliamos só milho e soja, mas temos prejuízos na pecuária de corte, de leite, nos hortigranjeiros. No arroz, já começa a ter falta d’água nas barragens para irrigação, os danos começam a ser maiores”, aponta ele.

Com o cenário desta semana, que tem 209 dos 497 municípios gaúchos com situação de emergência decretada até esta quinta (13), a federação avalia que o quadro pode se agravar ainda mais.

“A conta vai longe. A cada dia de calor, com baixa umidade do ar, os danos são expressivos”, diz Tarcisio Minetto, economista da FecoAgro-RS.

Em análise preliminar, com aumento de preços e piora do quadro esta semana, ele projeta que produtores podem deixar de colher e comercializar até R$ 25 bilhões, tomando por base o preço de milho e soja nas primeiras semanas de 2022.

Pelo menos 195 mil propriedades gaúchas tiveram perdas referentes à estiagem no estado, segundo dados da Emater-RS até o dia 7 de janeiro. A estimativa aponta 84,7 mil produtores de milho atingidos e 74 mil de soja, além de cerca de 22 mil produtores de leite.

A análise da FecoAgro na primeira semana do ano indicava 59,2% de perdas apenas no milho sequeiro, um cenário que o presidente avalia sem reversão. Para a soja, ele acredita que a situação pode se agravar ainda mais.

Na quarta-feira (12), a ministra da agricultura, Tereza Cristina, esteve em propriedades atingidas pela seca na região de Santo Ângelo (RS). O estado foi a primeira parada nas visitas a regiões afetadas, que incluiu ainda Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.

No RS, a ministra afirmou que ainda não era possível mensurar os prejuízos causados aos quatro estados afetados. A FecoAgro pediu um levantamento à Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para calcular os prejuízos.

“Há lavouras que se recuperam, outras não, ainda pode chover, são graus diferentes de recuperação de lavouras. Temos de acompanhar, de monitorar, e fiz questão de vir aqui para vermos o que já podemos propor para mitigar os problemas que os Estados enfrentam. Não queremos que as pessoas abandonem a produção. Procuraremos minimizar, não resolveremos tudo, mas minimizar, se agirmos rápido e agora”, declarou ela.

Nesta quinta, em visita à região de Cascavel (PR), Tereza Cristina disse que é preciso resolver de imediato como será o plantio da chamada safrinha –segunda safra, quando é feita a maior parte do plantio de milho nestes estados, segundo o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

O Rio Grande do Sul, segundo Pires, tem um problema de má distribuição das chuvas pelas diferentes áreas do estado, no verão, mas costuma ter volume bom de precipitações no ano.

“Desde 2012, não temos uma seca acentuada. As mais drásticas até agora são a de 2005, tem gente falando que talvez essa estiagem seja maior, quando tivemos frustração em mais de 50% da safra de soja, e 2012, onde tivemos uma quebra de 40% da safra de soja”, lembra ele.

“Se ocorrer chuvas semana que vem, elas recuperam, trazem novo ânimo, mas temos que torcer para que continue chovendo depois até abril”.

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Assuntos agronegócio, perdas no agronegócio
Murilo Rodrigues 14 de janeiro de 2022
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