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Economia

Terra do cachorro-quente e do Bradesco, Osasco é a queridinha das empresas de tecnologia

10 de maio de 2021 Economia
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Ifood é uma das empresas que migraram para Osasco nos últimos 5 anos (Foto: iFood/ Reprodução)
Por Amanda Lemos, da Folhapress

SÃO PAULO – A 23 km de São Paulo, Osasco quer acrescentar uma nova faceta aos seus investimentos. Conhecida por abrigar a Cidade de Deus, sede do banco Bradesco, pelo comércio popular e pelo cachorro-quente, agora quer se tornar uma espécie de “Vale do Silício” paulista, em referência ao polo de tecnologia na Califórnia (EUA).

Mercado Livre, Dafiti e iFood são algumas das empresas que migraram a sede para Osasco nos últimos cinco anos. Uma das explicações para o movimento é a redução da alíquota de ISS (imposto municipal) de 3% para 2% em 2018, diz o prefeito Rogério Lins (Podemos). Procuradas, as empresas não quiseram comentar a transferência.

Além do incentivo tributário, Lins diz que oferece um tratamento personalizado para cada empresa que se interessa pela cidade, negociando caso a caso.

O esforço, segundo o prefeito, faz parte de um projeto da gestão de transformar Osasco em um centro de tecnologia.

A cidade também recebeu a Havan, do empresário Luciano Hang, que abriu sua primeira megaloja na Grande São Paulo no fim de abril. Segundo a rede, essa primeira unidade demandou um investimento de R$ 40 milhões.

Ambev, Track & Field e Camil são outras que instalaram algum tipo de operação na cidade nos últimos anos. A cada nova parceria, o prefeito Rogério Lins (Podemos) comemora com um post em seu perfil nas redes sociais.

Conhecida como a “esquina comercial de São Paulo”, por ter acesso às principais rodovias do estado, como Castello Branco, Bandeirantes e ao Rodoanel, Osasco é uma das cidades da região metropolitana cujo motor de crescimento é o setor de serviços, enquanto outras sofrem com a saída de indústrias.

A região metropolitana de São Paulo passou por um intenso processo de desindustrialização desde 2004, diz Vagner Bessa, gerente da Área de Indicadores Econômicos da Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados).

As indústrias que estavam localizadas no entorno da capital paulista foram para as regiões de Campinas e Sorocaba. “Muitas delas simplesmente fecharam ou mudaram de segmento, se transformando em importadoras ou atacadistas”, diz.

A própria Osasco foi vítima dessa reformulação empresarial no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000, quando plantas fecharam na cidade, afirma Bessa. Uma delas foi a Cobrasma (Companhia Brasileira de Material Ferroviário), siderúrgica que foi símbolo da indústria da cidade.

Entre 2002 e 2018, a participação da indústria no PIB (Produto Interno Bruto) de Osasco caiu quase pela metade, de 9,6% para 4,45%. O valor adicionado (participação da riqueza gerada pelo setor) caiu de 12% para 5,7%. Em contrapartida, o setor de serviços, vital para cidade, passou de 70,6% para 73,5% no mesmo período. O valor adicionado subiu de 81,2% para 89,7% em 2018.

“O importante é que, conforme o setor de serviços se torna mais importante para o estado, Osasco sobe no ranking das economias municipais”, afirma Bessa.

Osasco passou a segundo lugar na lista de municípios que mais geram riqueza no estado de São Paulo em 2009. Em 2013, dividiu a posição com Campinas.

O avanço no ranking é ancorado na atração de grandes empresas, com destaque para as do segmento de tecnologia. “A simplificação no sistema fiscal dessas empresas e a agilização de papeladas para empresas de tecnologia deixou a cidade muito convidativa”, afirma Bruno Mancini, secretário de Planejamento e Gestão de Osasco. “Junto a isso, investimento em segurança pública, mobilidade e infraestrutura urbana onde essas empresas estão se instalando”, diz o secretário.

O curioso é que a tradicional Cidade de Deus do Bradesco ajuda nessa reformulação, afirma o secretário. “Mesmo em momentos de crise, ter a intermediação financeira pelo banco ajuda a manter a economia local”, explica Bessa.

O banco, que está na cidade desde 1953, é um dos responsáveis pela geração de emprego na cidade. Segundo o Seade, em 2018 a distribuição das vagas abrangia, principalmente, o setor de comércio varejista (18,6%) , administração pública (10,3%) e de serviços financeiros (7,8%).

Osasco teve seu pico de empregos com carteira assinada em 2014, quando foram geradas 149.710 vagas. A partir de então, a oferta passou a cair até 2017, como leve retomada em 2018, somando 138.316 empregos formais.

Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que acompanha o desempenho do do emprego com carteira assinada, Osasco sofreu seu maior baque no mercado formal de trabalho em abril de 2020, quando teve saldo negativo de 1.585 empregos formais. Em março deste ano, a cidade voltou a registrar saldo positivo de 2.174 empregos gerados.

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Assuntos Osasco, Tecnologia
Redação 10 de maio de 2021
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