
Por Milton Almeida, do ATUAL
MANAUS – Descobertos com a tecnologia Light Detection and Ranging (Lidar na sigla em inglês – Detecção ao Alcance da Luz, na tradução livre), alguns geoglifos indígenas na divisa entre o Amazonas e o Acre estão fora do alcance de arqueólogos brasileiros. É que parte deles está em propriedades privadas e os donos dificultam o acesso dos pesquisadores.
O Lidar é um sistema de sensoriamento remoto que emite pulsos de laser e permite identificar estruturas escondidas sob a vegetação.
Os pesquisadores precisam pedir autorizações aos proprietários das fazendas nas quais boa parte dos geoglifos estão localizados. Alguns, especialmente de grandes propriedades, não permitem a entrada dos especialistas, o que gera limitações para ampliação dos dados.
Os geoglifos – grandes desenhos geométricos escavados no solo – foram descobertos após o desmatamento no leste do Estado do Acre, especialmente nas proximidades de Rio Branco e ao longo de rodovias asfaltadas. A compreensão da extensão das sociedades indígenas que construíram essas estruturas tem mudado nos últimos anos, e seus sistemas de caminhos e estradas se estendem para áreas de floresta densa.
Em uma etapa anterior da pesquisa, realizada em 2024, foi utilizada o sistema Lidar. Segundo os pesquisadores, a tecnologia tem revolucionado a arqueologia em várias partes do mundo como no caso da descoberta de grandes cidades maias na América Central.
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Atualmente, o projeto cruza os dados gerados por essa tecnologia com informações obtidas por meio de escavações arqueológicas realizadas em campo e análises em laboratório. A área mapeada está localizada entre os municípios do estado do Amazonas e do Acre, como Boca do Acre, Lábrea, Rio Branco.
Este ano a equipe realizou escavações em nove sítios arqueológicos nos estados do Acre e Rondônia, em locais que haviam sido pouco ou nunca pesquisados, com o objetivo de produzir dados inéditos que contribuam para novos debates sobre a arqueologia amazônica e para uma compreensão mais profunda da história indígena e da formação social da região.

Os pesquisadores vão testar hipóteses consolidadas na Arqueologia da Amazônia. “A ocupação da região do Acre entre 700 a.C. e 900 d.C. já é bem conhecida, mas um dos nossos objetivos é refinar esse conhecimento e estabelecer uma cronologia mais precisa”, diz Martti Parssinen.
As atividades de campo contam com autorização do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e são realizadas em parceria com o Centro de Arqueologia e Antropologia Indígena da Amazônia Ocidental da UFAC (Caainam).
“Destacamos a dimensão acadêmica da nossa investigação e a possibilidade de que essas informações auxiliem os fazendeiros, pequenos produtores e comunidades ruais em geral a conhecerem melhor essas áreas e contribuírem na sua preservação”, diz Rhuan Carlos Lopes, da UFPA (Universidade Federal do Pará).
“É importante mencionar que, segundo a legislação brasileira, a presença de sítios arqueológicos não muda o direito à propriedade da terra, mas estabelece o compromisso dos proprietários como co-responsáveis pelos sítios arqueológicos”, acrescenta.
Para acompanhar as atualizações do projeto, os interessados podem seguir o perfil no Instagram do Grupo de Pesquisa Urukuri – Núcleo de Pesquisa em Arqueologia e História Indígena na Amazônia (@urukuri.arqueologia), e do Instituto Geoglifos da Amazônia (@geoglifosdaamazonia).
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A pesquisa “Geoglifos: Histórias Indígenas e Paisagem na Amazônia Ocidental” é coordenada pelos arqueólogos Rhuan Carlos Lopes, da UFPA (Universidade Federal do Pará), e Martti Parssinen, da Universidade de Helsinki/Instituto Ibero-Americano da Finlândia.
Também formam a equipe o paleontólogo Alceu Ranzi, ex-professor da Universidade Federal do Acre e atual presidente do Instituto Geoglifos da Amazônia, e pela bióloga Judith Ferreira, igualmente vinculada ao Instituto.
