
Por Gabriel Hirabahasi e Gabriel de Sousa, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (29) que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), “não é nada” sem o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou que Tarcísio fará, em 2026, “o que o Bolsonaro quiser”.
“Temos que reconhecer que o Bolsonaro tem uma força no setor de extrema-direita muito forte. Ele (Tarcísio) vai fazer o que o Bolsonaro quiser. Sem o Bolsonaro ele não é nada”, disse Lula, em entrevista à Itatiaia nesta sexta-feira, 29, em Minas Gerais.
Ao ser questionado sobre pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na quinta-feira, 28, que apontou o governador de São Paulo numericamente à sua frente na simulação de segundo turno, o presidente disse ser “muito cedo para analisar pesquisa”.
“A história está cheia de gente que seria eleita presidente no ano anterior e quando concorre não tem nenhum voto. Não é fácil ser candidato em um País megadiverso como o Brasil, de culturas muito diferentes”, declarou.
Perguntado se o Estado de São Paulo teria um candidato competitivo nas eleições presidenciais de 2026, em referência à possibilidade de Tarcísio se lançar na disputa ao Planalto, Lula disse que ele próprio é o candidato competitivo de São Paulo.
“São Paulo sempre pode ter um candidato competitivo. Tem 44 milhões de habitantes. É o Estado mais industrializado, mais rico, que tem mais infraestrutura. Sempre pode ter candidato. Nem sempre dá certo. (Orestes) Quércia tentou ser, não foi. Ulysses Guimarães tentou ser, não foi. (Paulo) Maluf tentou, não foi. Eu sou paulista também, o candidato competitivo em São Paulo sou eu. Moro em São Paulo desde 1952”, declarou.
Zema
Lula disse também que não vê problema em uma candidatura do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), à Presidência da República. Em entrevista à Rádio Itatiaia, o presidente disse que Zema não possui “humildade” e passou os oito anos de governo fazendo críticas ao antecessor, o ex-governador Fernando Pimentel (PT).
“Ele pode pleitear ser candidato à Presidência da República, eu não vejo nenhum problema nisso. Ele sabe que se ele tiver 1% de honestidade dentro da cabeça dele, ele sabe que ele recebeu, no meu governo, mais dinheiro do que ele recebeu nos quatro anos do Bolsonaro”, disse Lula, que lembrou de ter presidido o país quando o ex-governador Aécio Neves (PSDB), histórico opositor do petismo, comandava o Estado.
Lula disse ainda que não irá privatizar a Cemig (Companhia Energética Minas Gerais) para abater a dívida de Minas Gerais, como está previsto no Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados). “A Cemig jamais será privatizada por mim, ela é uma empresa de excelência. O que ela precisa é ser bem administrada”.
