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Dia a Dia

Sobe número de mulheres refugiadas no Brasil, diz Cáritas

22 de março de 2017 Dia a Dia
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haitianos (Marcello Casal Jr./ABr)
É cada vez mais comum a chegada de mulheres sozinhas ou acompanhadas dos filhos como as haitianas (Marcello Casal Jr./ABr)

BRASÍLIA – O perfil dos refugiados e solicitantes de refúgio que chegam a São Paulo tem mudado, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira, 22, pela Cáritas, organização da Igreja Católica que trabalha com essa população. Entre as 3.234 pessoas atendidas pela entidade em 2016, as mulheres representavam 36% do total, mais do que o dobro das 13% registradas em 2013.

A proporção vem crescendo continuamente: em 2015, as refugiadas e solicitantes eram 27% do público que chegou a Cáritas. “Em 2013, era mais comum a chegada dos homens sozinhos, solteiros, com a intenção de depois trazer a família”, enfatiza o diretor da Cáritas, padre Marcelo Maróstica. De acordo com ele, esse é o perfil mais comum entre os africanos.

Porém, por uma série de fatores, incluindo o aumento do número de refugiados sírios, Maróstica diz que é cada vez mais comum a chegada de mulheres sozinhas ou acompanhadas dos filhos. “Estão vindo de países com conflito, guerra étnica. Geralmente o homem vai para a guerra. O homem morre e a mulher se sente obrigada a defender a família e a sair do seu país. Em outras situações, o estupro é usado como arma de guerra”, acrescenta.

Os estrangeiros que se sentiram obrigados a deixar a Síria foram o quarto grupo com mais atendimentos, entre as 63 nacionalidades que procuraram a Cáritas de São Paulo ao longo do ano passado. Em primeiro lugar estão cidadãos de Angola, seguidos pelos da Nigéria e da República Democrática do Congo.

Vem crescendo também o número de mulheres grávidas que chegam à organização. Em 2013, foram dez gestantes, em 2015 foram 110, e, em 2016, 173. O número de mulheres que estavam com os filhos, mas sem um companheiro, ficou em 276 no ano passado. Em 2015, havia 202 mães nessa situação, enquanto em 2013 foram 18 casos.

Por outro lado, a proporção de refugiados e solicitantes com ensino médio ou superior chega a 58%, o que, segundo o padre Maróstica, contraria o senso comum sobre o tema. “Muitas vezes quando as pessoas falam de refugiado têm uma visão muito distorcida: acham que refugiado não tem escolaridade, não tem preparo. E a gente percebe que a grande porcentagem dos recém-chegados tem ensino médio e superior”, disse.

Esse é o caso de Prosper Dinganga Sikabaka, que deixou a República Democrática do Congo, com mestrado na área de relações internacionais. Hoje com 31 anos, o rapaz conta que saiu do país natal em 2013, após ser preso e torturado devido a sua atuação política. “O país se chama República Democrática do Congo, mas a gente nunca viu essa democracia”, disse, após explicar que ditadores têm se revezado no comando do país em uma série de golpes de Estado.

Casado e trabalhando como recepcionista em um hotel, Prosper faz questão de chamar atenção para um dos principais problemas país: o trabalho escravo nas minas de cobalto – matéria-prima usada na fabricação de aparelhos eletrônicos, como os celulares. “A questão do Congo é global”, afirma, e alerta que o dinheiro obtido com o mineral financia guerrilhas que usam trabalho infantil e promovem estupros em massa.

(ABr/Agência Brasil)

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Assuntos brasil, Cáritas, crianças, fome, guerra, Imigrantes, mulheres
Redação 22 de março de 2017
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