
Por Rodrigo Sampaio, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – No primeiro compromisso após a Copa do Mundo, a seleção brasileira fez partida ruim e buscou o empate com a Austrália, por 1 a 1, no último minuto, em amistoso realizado nesta sexta-feira (25), em Townsville. Rayan marcou o gol salvador aos 49 minutos do segundo tempo.
O técnico Carlo Ancelotti voltou a insistir em um esquema com quatro atacantes, mas sofreu com a falta de criação do time no meio-campo e uma exibição tecnicamente abaixo de jogadores importantes, como Vini Jr. e Endrick, ao mesmo tempo em que não conseguiu potencializar Raphinha, que vive fase artilheira no Barcelona, e Estêvão, jogador de maior perigo do time brasileiro na partida. Rayan, de cabeça após cobrança de escanteio, evitou o que seria uma derrota vexatória.
O Brasil volta a enfrentar a Austrália na próxima terça-feira (29), novamente às 7h (horário de Brasília). Desta vez, a partida será em Brisbane. A seleção ainda terá pela frente nesta Data Fifa o confronto inédito com a Índia, em Calcutá, no dia 3 de outubro.
Quem esperava ver um amplo domínio do Brasil, enganou-se. Apesar de ter apenas dois estreantes no time titular – o lateral-direito Matheuzinho e o zagueiro Vitor Reis – e manter o esquema com quatro atacantes, a seleção brasileira demonstrou um visível desajuste e teve dificuldade diante da Austrália. Os anfitriões controlaram a partida, criando chances em contra-ataques e em cobranças de escanteio. Aos seis minutos, o goleiro Hugo Souza fez boa defesa em chute de longa distância de Irankunda.
Sem conseguir avançar, o time brasileiro apostou em lançamentos longos do meio-campo, ineficazes diante da defesa australiana, montada com cinco atletas. Retornando à seleção brasileira após ausência na Copa por lesão, coube a Estêvão dar a primeira finalização do Brasil, aos 26, em chute de fora da área. Referência na frente, o camisa 9 Endrick praticamente não recebeu passes em condição de finalização e se limitou a brigar com os defensores australianos.
Os volantes Bruno Guimarães e Danilo demoraram a “entrar” na partida. Raphinha por vezes foi obrigado a recuar ao meio-campo para ajudar na construção e impedir a superioridade dos australianos no setor de meio-campo. Com maior amplitude, o time brasileiro organizou-se nos minutos finais e criou chances com Bruno Guimarães e Raphinha finalizando dentro da área.
Minutos depois de a Austrália quase abrir o placar após cobrança de escanteio, a rara pressão brasileira à defesa adversária termina com chute cruzado de Estêvão no fundo das redes. Melhor do time de Ancelotti no primeiro tempo, o novo camisa 11 da seleção teve o gol anulado por falta de Bruno Guimarães no início da jogada, corretamente apontado pelo VAR.
O Brasil voltou do intervalo em um ritmo de maior intensidade, com roubadas de bola e saídas em velocidade, mas quando precisou trabalhar a troca de passes, a seleção voltou sofrer com um buraco no meio-campo, sem articulação no setor central e pouca movimentação dos atacantes para criar oportunidades.
Vini Jr, que começou mal a temporada pelo Real Madrid, não se beneficiou da mudança de ares e foi um dos pontos negativos do time na partida. Aos 17 minutos, Raphinha teve a chance de abrir o placar, mas chutou mascado da entrada da área e perdeu a melhor oportunidade da seleção – a má qualidade do gramado visivelmente atrapalhou.
Ancelotti recorreu ao banco de reservas para tentar mudar a proposta de jogo da seleção. O italiano sacou o apagado Endrick para colocar Pedro, com o objetivo de ter um atacante mais fixo na área e aproximar os jogadores das pontas e do meio-campo. Bruno Guimarães deu lugar a Douglas Luiz, da Juventus, e Vini Jr saiu para entrada de Samuel Lino.
Mal os suplentes entraram o no gramado e a Austrália abriu o placar. Irankunda abriu o placar, aos 22 minutos, em cobrança de falta, que apesar de bem cobrada, deixou a impressão de que Hugo Souza poderia ter ao menos voado para tentar a defesa.
Com a vantagem no placar, a Austrália colocou os 11 jogadores atrás da linha da bola e teve até mesmo certa tranquilidade para administrar o resultado da partida. Ancelotti promoveu as estreias do zagueiro Jair Cunha e do lateral-esquerdo Mauro Júnior, além de entrar com o veloz Rayan, titular da seleção brasileira no fatídico jogo da eliminação contra a Noruega na Copa.
Mesmo com o estilo de velocidade do jogador do Bournemouth não casar com a urgência do time, que exigia um jogo de toque rápido e infiltração na área, o atacante brilhou no fim e empatou a partida com gol de cabeça no último lance.
A seleção jogou com: Hugo Souza; Matheuzinho, Marquinhos, Vitor Reis (Jair Cunha) e Douglas Santos (Mauro Júnior); Danilo e Bruno Guimarães (Douglas Luiz); Estêvão (Rayan), Raphinha, Endrick (Pedro) e Vini Jr. (Samuel Lino).
