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Política

Se houve grampo é uma desonestidade, diz Bolsonaro sobre áudio vazado

17 de outubro de 2019 Política
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Jair Bolsonaro
“Eu não trato publicamente sobre este assunto. Eu converso individualmente. Se alguém grampeou telefone, primeiro é uma desonestidade”, afirmou (Foto: Marcos Corrêa/PR)
Por Talita Fernandes e Thais Arbex, da Folhapress

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) tratou como “desonestidade” um possível grampo de suas conversas com deputados do PSL.

“Eu falei com meus parlamentares. Me gravaram? Deram uma de jornalista? Eu converso com deputados, eu não trato publicamente deste assunto”, disse ao deixar o Palácio da Alvorada na manhã desta quinta-feira, 17.

A declaração foi feita depois de Bolsonaro ser questionado sobre a divulgação de áudios divulgados por pessoas ligadas ao PSL e atribuídos por eles a Bolsonaro que indicam o que seria a ação do presidente para convencer os deputados para a troca do líder do partido. 

“Eu não trato publicamente sobre este assunto. Eu converso individualmente. Se alguém entrou, grampeou telefone, primeiro é uma desonestidade”, afirmou.

Bolsonaro não respondeu se pedirá que seja investigado de que forma o áudio seu foi vazado. Ele encerrou uma rápida entrevista na porta do Alvorada ao ser questionado sobre sua interferência na liderança do PSL.   

Em meio a um racha no PSL, escancarado depois de o presidente admitir que pode deixar a legenda, deputados do partido deflagaram uma guerra de listas na noite de quarta-feira, 16, para troca do líder na Câmara. 

A disputa põe em choque aliados do presidente Jair Bolsonaro e do presidente da legenda, o deputado Luciano Bivar (PE).

Bolsonaro e Bivar estão há mais de uma semana em atrito, depois de o presidente afirmar que o colega de partido está “queimado pra caramba”. Bivar também foi alvo de operação da Polícia Federal que investiga suposto esquema de candidaturas laranjas.

O atual líder da bancada é Delegado Waldir (GO), mas bolsonaristas querem substituí-lo por Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente, como a Folha antecipou. Segundo deputados, Bolsonaro atuou pessoalmente para influir no processo. As versões desencontradas geraram uma confusão no protocolo da Câmara.

A ala bolsonarista entregou uma lista com 27 assinaturas para tirar Waldir do comando da bancada. Uma contra-lista foi então apresentada com 32 deputados.

Como o PSL tem 53 parlamentares, a conta não fecha. O impasse foi instaurado. Como a lista para manter Waldir na liderança foi a última protocolada, é ela que vale por enquanto para a Câmara.

Eduardo já comentou uma eventual substituição. “O meu compromisso aqui é ficar até dezembro, oportunidade em que teremos eleições para o ano que vem”, afirmou em entrevista coletiva, cercado pelo núcleo duro dos bolsonaristas.

As assinaturas, porém, terão de ser checadas pela administração da Casa para conferir se são autênticas, e o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem de chancelar a medida para que ela entre em vigor. Os deputados, de ambos os grupos, não mostraram o documento à imprensa.

No lado bolsonarista, a decisão dos congressistas vem na esteira da crise do PSL. Waldir vinha retaliando, desde a semana passada, deputados da ala dissidente, retirando-os de comissões e de posições na liderança do partido.

“A minha intenção é apenas manter o status quo, muitos deputados foram retirados de comissão, ocorreu uma retaliação e pareceu que se estava fazendo política com o fígado”, disse Eduardo. O filho do presidente também afirmou que sua indicação para ocupar a embaixada do Brasil em Washington é secundária.

“Todos os temas como embaixada, ou viagem para a Ásia, esses são temas secundários, a gente está aqui para cuidar dos nossos eleitores”, afirmou. O mandato seria tampão. Washington está sem embaixador há meses.

O delegado Waldir chegou a dizer publicamente que Bolsonaro estava ligando para deputados para destitui-lo do cargo. 

“O presidente está ligando para cada parlamentar e cobrando o voto no filho dele”, disse.

Em conversas reservadas, Bolsonaro tem defendido a necessidade de se criar um movimento maior de apoio a ele e que eleve a pressão sobre Bivar para a realização de uma auditoria externa nas contas da legenda.

A ideia tem sido a de usar eventuais irregularidades nos documentos como justa causa para uma desfiliação de deputados da sigla, o que evitaria perda de mandato.

Como a articulação até agora criou um racha no partido que colocou em risco a pauta de votações no Congresso, a ordem do presidente a aliados tem sido de que a movimentação seja feita da forma mais discreta possível e que seja intensificada em novembro, quando ele voltar de viagem à Ásia.

RAIO-X DO PSL
271.195 filiados (em ago.19)
3 governadores (SC, RO e RR), de um total de 27 estados
53 deputados federais, de 513; 2ª maior bancada, atrás da do PT (54)
3 senadores, de 81; a maior bancada, do MDB, tem 13
R$ 110 mi – repasses do fundo partidário em 2019 (estimativa)

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Assuntos Bolsonaro, PSL
Redação 17 de outubro de 2019
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