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Rios e não rodovias deveriam ser prioridade ao transporte na Amazônia, diz biólogo

20 de outubro de 2019 >Dia a Dia
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thomas lovejoy amazônia
Thomas Lovejoy defende o uso de recursos próprios da região (Foto: Reprodução/TCE)
Da Redação

MANAUS – O biólogo estadunidense Thomas Lovejoy, estudioso da Amazônia há 40 anos, afirma que primeira escolha para transporte na região deveria ser os rios e não as rodovias. Durante o 2º Simpósio Internacional Sobre Gestão Ambiental e Controle de Contas Públicas, promovido pelo TCE (Tribunal de Contas do Amazonas) o pesquisador discutiu entre outros assuntos a mobilidade na região.

Para Thomas Lovejoy, é preciso aproveitar os recursos próprios da região também para o transporte. “Eu acredito que as rodovias deveriam ser a última escolha. A primeira escolha para o transporte deveria ser os rios, que já estão disponíveis para todos nós para então prover transporte”, disse, na primeira conferência no evento.

O cientista dá um dado importante: 20% de toda a Amazônia é formada por rios, e esta seria uma forma de desenvolver uma infraestrutura sustentável. “Com certeza nós devemos desenvolver esses rios como se fossem estradas ecológicas. É muito importante desenvolvê-los como se fossem estradas ou estradas secundárias da Amazônia”, afirma.

BR-319

Lovejoy também defendeu uma ideia que já vem sendo discutida no meio acadêmico para solucionar o problema que atinge a BR-319, que fica a maior parte do ano intrafegável, por conta das chuvas, principalmente nas área alegadas.

“Eu sei que há uma grande pressão para desenvolver a estrada que liga Manaus a Porto Velho. Com certeza é uma área muito alagadiça, e muitos acreditam que deveria ser feito um projeto parecido com a Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo, que é elevada. Evidentemente que se gasta muito mais para construí-la, mas se gasta muito menos para mantê-la”.

Para o biólogo, muitos problemas com relação à infraestrutura estão relacionados à insuficiência econômica do governo, o que segundo Lovejoy, impactam na manutenção e desenvolvimento de projetos sustentáveis.

Piscicultura

Lovejoy também defendeu o aproveitamento dos rios para a piscicultura. Ele lembrou que os rios da Amazônia tem a maior quantidade de peixes do planeta e disse que há evidências de que a atividade pesqueira pelos ribeirinhos é sustentável.

“Com certeza, há necessidade de desenvolvimento dessa atividade econômica, da atividade de manejo e do aproveitamento das águas nos ambientes alagados, porque algumas espécies de peixes vivem nas florestas alagadas”, disse.

O biólogo afirma que algumas espécies de peixe tem potencial de mercado e facilidade de reprodução, e reconhece que a atividade de criação de peixe em cativeiro já vem sendo feita em pequena escala, mas há potencial para desenvolvimento em grande escala. Ele citou como exemplos, o tambaqui e o pirarucu.

Lovejoy afirma que para por em prática essas ideias é necessário que se crie uma nova visão sobre a Amazônia e o desenvolvimento sustentável.

Para ele, o desenvolvimento sustentável é aquele que respeita o meio ambiente, e para cumprir essa tarefa são necessários projetos que levem em conta as especificidades de da floresta, dos rios e dos animais.

ZFM

Sobre a ZFM (Zona Franca de Manaus), o biólogo fez elogios e críticas. Ele disse que não há Amazônia sustentável sem que se tenha vida de qualidade nas cidades, e citou o exemplo de Manaus e a Zona Franca de Manaus.

Lovejoy afirma que a ZFM contribui para o desenvolvimento do Estado e da cidade de Manaus, mas é preciso ser repensada, principalmente do ponto de vista do desenvolvimento sustetável.

“Onde nos estamos, Manaus, não é perfeita, mas nos leva à reflexão. Com todo o desenvolvimento gerado pela Zona Franca, o Amazonas está mais desenvolvimento e mais sustentável; muito do que Manaus representa tem a ver com a Zona Franca e às indústrias aqui instaladas. E as matérias primas que eles usam para construir não vêm da Amazônia. Então, é hora de pensar sobre uma nova fase para a Zona Franca.

Para ele, é hora de pensar na próxima fase da Zona Franca e outras ideias construtivas sobre economia podem começar a ser ouvidas. Esse é um grande exemplo que nós podemos usar para desenvolver a região e podermos fazer melhor”, diz.

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Assuntos BR-319, II simpósio internacional de gestão ambiental, rios, TCE-AM, Thomas Lovejoy, Zona Franca de Manaus
Redação 20 de outubro de 2019
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1 Comment
  • Carlos Mesquita disse:
    20 de outubro de 2019 às 21:36

    Solução logística para a região Norte é o FERROVIÁRIO. Além de ter um custo bem menor podemos ter ligação internacional com outros países amazônicos. Os rios é bom somente para transporte regional.

    Responder

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