
Do ATUAL
MANAUS – Na comunidade Santa Rosa, localizada a 400 quilômetros de Manicoré, moradores relatam que cerca de 800 balsas de garimpo ilegal estão em atividade no Rio Madeira desde julho, sem que os órgãos públicos promovam qualquer ação de combate a crimes ambientais na região. Os ribeirinhos relatam que já sofreram ameaças e que denunciaram, mas não foram ouvidos.
No início de agosto, a Polícia Federal informou que realizou operação de combate ao garimpo ilegal e destruiu 23 embarcações na calha do Rio Madeira, próximo ao município de Autazes. Na ocasião, o órgão anunciou que continuaria a realizar ações na região e que as estenderiam para outras áreas de garimpo ilegal detectadas no Amazonas.
Na última sexta-feira (23), um dos moradores, que pediu para não ser identificado por temer represálias, afirmou que os garimpeiros armados provocam e atacam todos os dias as 20 famílias da comunidade, atracando suas embarcações na margem para retirar ouro do rio. Eles disseram que pediram para os garimpeiros não se aproximarem das margens do rio, mas foram ameaçados.
“Já falamos com eles pedindo para não chegarem tão perto da ‘beira’ e em resposta mandaram pessoas armadas e violentas para dizer que não irão sair. Denunciamos nos órgãos públicos e os garimpeiros reduziram por um tempo, mas desde a metade do ano, com o início da seca, eles voltaram com tudo e hoje já são 800 balsas neste trecho do rio”, disse o morador.
Além da ameaça ao meio ambiente e da redução da pesca na região (principal fonte de proteína da população local), os moradores também notaram que desde a chegada do garimpo ilegal, os barrancos onde estão suas casas começaram a ceder com maior intensidade e frequência. Segundo os moradores, algumas estruturas já foram destruídas com a queda dos barrancos.
“Parte de algumas construções já foram para o fundo do rio e as nossas casas estão ameaçadas de afundarem também se nada for feito. Vivemos em uma área isolada da floresta, não temos para onde ir e nem a ajuda de ninguém contra toda essa gente armada que está garimpando dia e noite”, afirmou o ribeirinho.
Bloqueio
A ação ilegal dos garimpeiros no rio Madeira também é uma ameaça constante para o transporte de cargas na região.
De acordo com o Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas), na última sexta-feira (23), uma embarcação que transportava grãos próximo da comunidade Bom Intento – quatro quilômetros rio abaixo da Santa Rosa, em Manicoré – foi proibida de passar pelos garimpeiros que fecharam toda a extensão do rio com suas balsas.
“Eles bloquearam tudo e a tripulação teve que ‘negociar’ para deixarem o caminho livre. A transportadora fez a denúncia na Capitania dos Portos e aguarda o retorno das apurações sobre mais este incidente envolvendo o transporte de cargas e os garimpeiros ilegais”, destacou o vice-presidente do Sindarma, Madson Nóbrega.
Nóbrega afirma, ainda, que a ação das balsas acontece com maior incidência no Rio Madeira e nesta época de vazante.
“A navegação naturalmente já fica prejudicada com a descida das águas porque apenas em canais nos rios pode ser feita com segurança para evitar bancos de areia, por exemplo. Quando balsas estão obstruindo estes caminhos, a situação fica mais complicada, o tempo de viagem aumenta e pode afetar o abastecimento de produtos no interior do estado”, advertiu Nóbrega.
