
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — “O que aconteceu com o estado foi um abandono completo”, afirmou o ministro dos Transportes, Renan Filho, ao comentar a situação da BR-319 durante o governo Jair Bolsonaro. A declaração foi feita na terça-feira (20), durante audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal.
Renan defendeu a importância da rodovia e criticou os entraves legais e ambientais que travam o asfaltamento do trecho central. “Eu defendo a BR-319 veementemente por onde passo, sempre destacando: não há nenhuma outra cidade no mundo com mais de 2 milhões de habitantes que não tenha acesso por estrada asfaltada. Manaus é a única. O acesso é exclusivamente por rios. É uma condição especial, que todo mundo conhece. Mas agora, com as mudanças climáticas, os rios estão secando.”
O ministro foi questionado pelos senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Plínio Valério (PSDB-AM), que cobraram celeridade no licenciamento ambiental da rodovia. Renan disse que o governo federal reconhece a necessidade da BR-319 para a população amazonense e afirmou que a gestão Lula tem aumentado os investimentos em infraestrutura no estado.
Segundo ele, há três obras consideradas essenciais pelo governo: a BR-319, a hidrovia do Rio Araguaia e a exploração da Margem Equatorial. “Se conseguirmos a licença da BR-319, será um marco histórico para o estado. Vamos concluir as pontes que caíram, iniciar o asfaltamento do Lote C. Precisamos trabalhar juntos”, afirmou.
Renan disse ainda que todos os estudos técnicos sobre a viabilidade do asfaltamento já foram concluídos, mas que o processo segue travado por barreiras legais. “Nosso arcabouço legal não permite que o presidente decida sozinho. Se fosse possível ao presidente da República tomar algumas decisões diretamente, talvez fosse um avanço interessante. Mas será que Temer, Bolsonaro ou Dilma não teriam dado essa licença, se pudessem? Talvez tivessem.”

Ao comentar a situação da BR-319 encontrada pelo atual governo, o ministro disse que as rodovias no Amazonas estavam “intrafegáveis”. Ele comparou os investimentos em infraestrutura entre gestões: segundo Renan, em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, foram destinados R$ 214 milhões ao estado. No primeiro ano do governo Lula, esse número subiu para R$ 543 milhões. Em 2024, já são R$ 693 milhões aplicados na malha rodoviária amazonense.
Renan também criticou a atuação de organizações não governamentais que se opõem às obras na rodovia. “O Ministério dos Transportes trabalha contra ONGs que conseguem liminares na Justiça. Nós recorremos e conseguimos reverter decisões, como a do Observatório do Clima”, afirmou.
O ministro mencionou ainda o colapso na saúde pública durante a segunda onda da pandemia de Covid-19, quando a precariedade da BR-319 dificultou o transporte de oxigênio para Manaus. “A crise de oxigênio mostrou como é fundamental garantir redundância de modais. Quando uma rodovia falha, precisamos de uma hidrovia. E o contrário também é verdadeiro”, disse.
Renan destacou que o governo está iniciando a pavimentação de 50 quilômetros no Lote C, que integra os 400 km do chamado “trecho do meio”, o mais crítico da BR-319. “Faz 15 anos que não se coloca asfalto novo na BR-319. Não é mais um problema de governo, é um problema de Estado. Eu estarei no Amazonas ao fim do período de chuvas para acompanhar o andamento da obra”, afirmou.
