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Política

Rede pró-Bolsonaro engaja mais que Madonna e Neymar

12 de outubro de 2018 Política
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Página em rede social de apoio a Bolsonaro: candidato tem 28 homes de engajamento (Foto: Divulgação)
Página em rede social de apoio a Bolsonaro: candidato tem 28 homes de engajamento (Foto: Divulgação)

Do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Um conjunto de endereços nas mídias sociais se tornou a principal e mais influente rede de apoio e difusão de ideias do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, na eleição deste ano. Ao menos 28 páginas e seis sites – que pertencem a um mesmo grupo chamado Raposo Fernandes Associados (RFA) – representam hoje o maior engajamento no entorno de Bolsonaro no Facebook. Este grupo atingiu um alcance tão grande nas redes sociais que supera, em nível de interação no Brasil, a soma dos índices de páginas oficiais de famosos como Madonna, Neymar e Anitta.

Uma investigação do jornal ‘O Estado de S. Paulo’ em parceria com a organização internacional de campanhas e mobilização social Avaaz revela que, somente nos últimos 30 dias, os endereços alcançaram 12,6 milhões de interações no Facebook – ou seja, o total de reações a postagens, comentários e compartilhamentos. Mais de 16 milhões seguem essas páginas. Nos mesmos 30 dias, o jogador Neymar acumulou 1,1 milhão de interações, a cantora Anitta conseguiu 574,8 mil e Madonna, 442,5 mil. Segundo analistas, o sucesso do candidato do PSL nas urnas pode ser explicado, em parte, por essa força na internet, já que ele não teve apoio de partidos tradicionais ou tempo de TV.

No campo da esquerda e de apoio ao petista Fernando Haddad também há dezenas de páginas e sites de apoio, mas sem a mesma organização ou alcance. Das 100 páginas que mais citaram Haddad nos últimos 30 dias, 24 o apoiam e outras 47 o criticam. As outras são de políticos, a favor e contra sua candidatura. O site Brasil 247 foi o que mais engajou no período – 2 milhões de interações, seguido pela página O Brasil Feliz de Novo, com 903 mil interações. Não, há, no entanto, uma rede estruturada de grande alcance, como no caso da RFA. O petista começou a ganhar força no cenário eleitoral ao ser apoiado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – preso e condenado na Operação Lava Jato.

O conjunto de páginas da RFA surgiu a partir de um ativismo digital que teve sua ascensão em meio aos protestos de junho de 2013 e da Lava Jato, em 2014, se consolidou no processo de impeachment de Dilma Rousseff e convergiu no apoio a Bolsonaro.

A empresa que administra o grupo é a Novo Brasil Empreendimentos Digitais Ltda., de propriedade do advogado Ernani Fernandes Barbosa Neto e de Thais Raposo do Amaral Pinto Chaves. As páginas da rede são sempre identificadas com a sigla RFA na descrição.

Embora se declare como independente, a rede administra endereços como Apoio a Jair Bolsonaro e, durante a divulgação dos resultados do primeiro turno, comemorou nas páginas vitórias como a dos candidatos Eduardo Bolsonaro e Janaína Paschoal, ambos do PSL.

Sozinha, a RFA configura a maior parcela das páginas bolsonaristas na rede. Um levantamento do Monitor do Debate Político no Meio Digital, dos pesquisadores Márcio Moretto Ribeiro e Pablo Ortellado, a que o Estadão teve acesso, identificou ao menos 114 páginas de apoio ao militar em toda a rede. A RFA corresponde à maior e mais influente parte dessas redes, à frente até mesmo do Movimento Brasil Livre (MBL).

O maior puxador de interações da RFA é uma página chamada Movimento Contra Corrupção (MCC), de uma entidade criada por Ernani, Thais e outros membros em 2013, no auge dos protestos de rua. O MCC ganhou força nas manifestações de junho. O movimento atuava com mais força dos bastidores, com foco na mobilização virtual e críticas à imprensa.

Procurado, o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) não comentou a reportagem. A recém-eleita deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) disse ter conhecimento sobre páginas em seu nome, mas afirmou que não conhece a rede RFA nem tem domínio sobre as postagens que são feitas.
Ernani Fernandes Barbosa Neto e Thais Raposo do Amaral Pinto Chaves, proprietários da empresa que administra o grupo, foram procurados pela reportagem durante duas semanas, por e-mail, telefone e por intermédio de colegas, mas não quiseram se manifestar.

O deputado federal eleito Alexandre Frota (PSL-SP) e o deputado estadual eleito pelo Paraná Delegado Francischini (PSL) também não responderam à reportagem. O Estadão ainda tentou contato com o PRTB e com Levy Fidelix – o partido pagou cerca de R$ 30 mil de sua cota de Fundo Partidário no ano passado por serviços de uma das empresas do casal -, mas não obteve resposta nem de Fidelix nem de outro representante da sigla.

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Assuntos Fernando Haddad, Jair Bolsonaro, redes sociais
Cleber Oliveira 12 de outubro de 2018
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