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Pontes Filho

Reagir a assaltos?

11 de abril de 2016 Pontes Filho
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Estatísticas informam que reação a assaltos só obtém êxito em torno de 10% dos casos. Nos demais 90%, o resultado de se reagir a assaltos tem sido gravemente danoso senão fatalmente trágico. Porém, a pesar disso, registra-se a crescente a reação de pessoas a situações de assalto e, por consequência, o aumento de vítimas fatais.

Não que as pessoas ao reagir a assaltos estejam erradas, pois as mesmas tem o direito de resistir a quem lhes viole o direito, mas é que o risco de algo muito pior acontecer é grande. Não é a vítima a culpada do autor do crime de latrocínio executá-la. Pelo contrário, o assaltante, o ladrão, enfim, o marginal, é que está cometendo algo gravemente errado – um delito. Algo inteiramente reprovável. Contudo, deve-se atentar ao fato do assaltante, quase sempre, está tenso, nervoso, estressado, ansioso, apressado, pois sabe que pode ser preso, sofre repressão ou ser pego pela população e linchado. Isso tornar as coisas muito delicadas e aumenta demais os riscos de algo ruim acontecer em caso de reação da vítima. Além disso, o delinquente também pode estar com o estado de consciência alterado por conta do uso de alguma substância entorpecente.

Na última semana, em Manaus, a exemplo do que ocorre noutras metrópoles, foram diversas pessoas foram mortas por reagirem em situação de assalto. A reação aos autores de assalto tem sido cada vez mais frequente. O que está ocorrendo? As pessoas não ponderam mais entre o valor da vida e o preço das coisas? Seria a irrefreável indignação ou a perda do medo ou ainda o descrédito nas instituições do sistema de justiça criminal? O que permite compreender essa crescente reação a assaltos da parte do cidadão? Que fatores têm concorrido para levar as pessoas a reagir a assaltos, roubos e correr tamanhos riscos ou mesmo serem vitimadas?

Especialistas apontam esses fatores e outros mais na tentativa de entender a reação das pessoas em situação de grave risco numa situação de assalto. Ressaltam a desinformação, a falta de atenção, a irracionalidade do ímpeto ou instinto de defesa, a ânsia de “fazer justiça com as próprias mãos”, a supervalorização e apego às coisas, dentre outras causas. O fato é que as pessoas estão, seja por conta do que for e apesar de todos os graves riscos que correm, reagindo cada vez mais aos assaltos e seus autores.

A reação voluntária é aquela intencional, até mesmo consciente dos riscos que corre ao resistir ao assaltante. Contudo, mas gravemente arriscada, é a reação involuntária, aquela pela qual a vítima age automaticamente, exercendo apenas o instinto ou ímpeto de defesa, sem estar plenamente consciente do que está fazendo, mas que o marginal toma como algo afrontoso a si e parte para produzir a ação fatal. É o caso de alguém que anda com algo muito próximo ao corpo, por exemplo, mulher com bolsa, e que a mesma ao sentir a bolsa puxada, tende a segurar. O risco de ser alvejada é muito grande. Lamentavelmente, casos como esses não são raros.

Por conta dessas situações, recomenda-se sempre estar atento ao entorno, não criar embaraços ou óbices numa situação de alto risco, procurar manter a calma, cooperar, não oferecer resistência, evitar movimentos bruscos ou rápidos, evitar contato visual com o ladrão, não discutir nem falar mais do que o necessário com o assaltante, enfim, não reagir e tentar encurtar o tempo do roubo ou assalto. A regra da não reação ao assalto tem feito a grande diferença para os que não são fatalmente vitimados nem gravemente lesionados nessas situações de extremo risco. Não reagir a assaltos deve continuar sendo a regra para preservação da vida e da integridade física das pessoas.


Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Amazonas Atual, Artigo, Pontes Filho
Valmir Lima 11 de abril de 2016
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