
Do ATUAL
MANAUS – Familiares de vítimas da chacina que ocorreu no dia 21 de dezembro de 2022 no ramal da Água Branca, na zona rural de Manaus, se reuniram em frente ao Fórum Ministro Henoch Reis, na manhã desta terça-feira (27), para pedir justiça. A manifestação ocorreu antes do início da sessão para ouvir as testemunhas e os 16 policias militares da Rocam (Ronda Cândido Mariano) réus no caso. As audiências ocorrerão até sexta-feira (30).
Na chacina, duas mulheres e dois homens foram mortos: Diego Máximo Gemaque, de 33 anos, Lilian Daiane Máximo Gemaque, 31 anos, Alexandre do Nascimento Melo, 29 anos, e Valéria Pacheco da Silva, de 22.
“Eu peço que o Ministério Público, as autoridades, continuem do nosso lado, dando total apoio, porque está sendo feito um trabalho, até agora, excelente. A gente está se sentindo muito apoiado, e que seja feita a justiça, porque foram quatro vidas. Eu espero que eles sejam condenados, que a Justiça faça um bom trabalho”, disse Vanessa Pacheco, mãe de Valéria, uma das vítimas.
“Algumas coisas [do laudo do crime] eu nem consegui ler, visualizar, porque é onde tem as fotos da perícia. É muito difícil, pra gente como pai, ver o filho naquela situação, filho que a gente criou com tanto amor, tanto carinho. Eram pessoas muito do bem”, disse Vanessa.

O sargento da Polícia Militar, Alessandro da Silva, de 46 anos, pai de Alexandre do nascimento, acredita que o crime tenha sido planejado.
“Não foi um acidente que aconteceu, não. Eles tiveram uma intenção. O que eu quero e continuo pedindo é que eles sejam expulsos, que eles sejam presos, porque não é só ser expulso não, eles têm que pagar” disse Alessandro. “O que eu acredito é que eles [as vítimas] foram pegos, estavam sendo torturados, e aquele rapaz que estava no porta-malas morreu, aí que aconteceu tudo o que aconteceu. […] Tá no lado do IML (Instituto Médico Legal), eles foram torturados”, completou.
De acordo com a polícia, Alexandre, Valéria e Lilian estavam nos bancos do carro amarrados com as mãos para trás com algema plástica, balaclava cobrindo todo o rosto e ferimentos na cabeça provocado por arma de fogo. Diego foi encontrado dentro do porta-malas com as mãos amarradas para frente e com ferimentos nas costas por arma de fogo.
O pai da vítima conta que há pontos a esclarecer, como o fato de as vítimas terem sido levadas do bairro Nova Cidade para o ramal do Acará, no bairro Lago Azul e, em seguida, ao ramal da Água Branca, na AM-010, onde foram executadas. Alessandro diz que espera um posicionamento dos policiais apontados como envolvidos, pois, até o momento, eles não se pronunciaram sobre o crime.
“Tem que sair alguma coisa. Eles têm que falar alguma coisa. Eu li o processo e quem está de testemunha deles são dois policiais da Rocam. Que testemunhas são essas? São dois policiais dentro da casa deles. Estavam lá quando aconteceu? Não existe isso”, disse.

