
Do ATUAL
MANAUS – O monitoramento do Selva (Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental) registrou, nesta sexta-feira (17), qualidade do ar classificada como “péssima” na região do bairro Zumbi dos Palmares, na zona leste de Manaus, ponto de monitoramento próximo da fábrica Innova, no Distrito Industrial, onde ocorreu o vazamento de estireno, na quarta-feira (15).
O sistema apontou concentração de 5.513,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de material particulado fino (PM2,5) no local. Nos demais pontos monitorados da capital, os índices variaram entre 3 e 10 µg/m³, permanecendo na faixa considerada boa pela plataforma.

Segundo a meteorologista e professora da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), Juliane Querino, o resultado pode estar relacionado não apenas às condições meteorológicas observadas desde o vazamento, mas também às características físico-químicas da substância liberada.
A especialista explicou que a ausência de chuva desde o início da ocorrência pode ter contribuído para que parte dos poluentes permanecesse por mais tempo na atmosfera. Isso porque a chuva atua como um mecanismo natural de remoção desses contaminantes, processo conhecido como deposição úmida.
Juliane ressalta, porém, que a falta de chuva, isoladamente, não significa que o poluente permaneça na mesma concentração desde o vazamento. Segundo ela, o comportamento da substância depende de um conjunto de fatores, como velocidade e direção dos ventos, temperatura, radiação solar, altura em que o poluente foi liberado e as próprias características químicas do estireno, que pode sofrer degradação ou reagir na atmosfera.
Essas condições também influenciam a forma como o poluente se dispersa ou permanece concentrado no ambiente. Conforme a meteorologista, ventos moderados e constantes, atmosfera instável e uma camada de mistura atmosférica mais elevada favorecem a diluição do contaminante ao distribuí-lo em um volume maior de ar. Em contrapartida, ventos fracos, atmosfera estável e fenômenos como a inversão térmica podem dificultar essa dispersão e manter o poluente concentrado próximo ao solo.
Ela acrescenta que fatores ligados ao próprio vazamento também interferem nesse comportamento, como a quantidade de estireno liberada, a temperatura da substância, o tempo de duração do vazamento e a presença de obstáculos, como edifícios, árvores e o relevo da região.
A meteorologista também afirmou que não há evidências de que um vazamento de estireno, por si só, provoque alterações na chuva, como a formação de chuva ácida. “Não há evidências de que um vazamento de estireno, por si só, provoque alterações na chuva, como chuva ácida. Está mais relacionado à qualidade do ar e partículas finas”, disse.
A classificação da qualidade do ar do Selva é baseada na concentração de partículas finas (PM2,5) e divide os níveis em boa, moderada, ruim, muito ruim e péssima.
A Prefeitura de Manaus orienta que moradores e trabalhadores evitem permanecer nas proximidades da área afetada. Em caso de forte odor, a recomendação é permanecer em local protegido, manter portas e janelas fechadas e procurar atendimento médico caso surjam sintomas como irritação nos olhos, dificuldade para respirar ou mal-estar.
