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Dia a Dia

Proxalutamida para tratar Covid-19 reduz tempo médio de internação e mortes, diz estudo

10 de fevereiro de 2021 Dia a Dia
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Estudo com proxalutamida foi feito em pacientes de Manaus (Foto: Divulgação)
Da Redação

MANAUS – Estudo clínico realizado pela Applied Biology com pacientes com Covid-19 internados nos hospitais da Samel em Manaus aponta que o uso da proxalutamida reduz o tempo médio de internação, o número de mortes e a realização de intubações. Os testes foram feitos durante 14 dias com pacientes em estado grave e hospitalizados por até 72 horas.

O estudo, divulgado na terça-feira, 9, foi conduzido pelos médicos Flávio Cadegiani, fundador e diretor médico do Instituto Corpometria; Daniel Fonseca, diretor técnico dos hospitais Samel; e Ricardo Ariel Zimerman, ex-presidente da Associação Gaúcha de Profissionais em Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar, sob a coordenação de Andy Goren, CMO (Chief Medical Officer) da Applied Biology.

De acordo com Goren, em fevereiro de 2020, o grupo de pesquisa descobriu uma relação entre a queda de cabelo e a severidade dos casos de Covid-19. Os estudos indicaram que o coronavírus só consegue entrar nas células pulmonares por meio dos androgênios. Como a proxalutamida impede a entrada do vírus nas células, Goren iniciou uma pesquisa em nível global para comprovar sua eficácia.

Num dos primeiros testes conduzidos por ele, com pacientes com sintomas leves, nenhum precisou ser hospitalizado, contra 27% entre os que tomaram placebo. Ao receber a autorização do Comitê Nacional de Pesquisa para realizar testes no Brasil em pacientes nos estágios iniciais de hospitalização, a equipe de Goren escolheu o estado do Amazonas, considerado hoje o epicentro da doença no mundo.

Resultados

Para a primeira fase do estudo foram escolhidos 42 pacientes nas primeiras 72 horas de hospitalização. Todos eles faziam utilização de oxigênio, 35 estavam com ventilação não invasiva (VNI) e 24 com indicação de intubação.

Neste estágio, nas primeiras 24 horas, seriam esperadas de 8 a 12 intubações, nenhum paciente com uso de VNI com saturação maior que 94% em ar ambiente e menos de 10% (2 a 3 pacientes) sem uso de VNI.

Com o uso da proxalutamida, depois de 24 horas havia sete pacientes com uso de oxigênio com saturação maior que 94% em ar ambiente; 15 pacientes (40%) em VNI com saturação maior que 94% em ar ambiente; 20 pacientes (67%) sem uso de VNI; e 24 pacientes sem mais indicação de intubação.

Ao chegar a 48 horas de internação, seriam esperadas de uma a duas mortes; de 12 a 18 intubações; de um a dois pacientes em VNI com saturação maior que 94% em ar ambiente; e de quatro a cinco pacientes sem uso de VNI.

Ao invés disso, o grupo apresentou 80% dos pacientes (30) sem uso de VNI com saturação maior que 94% em ar ambiente; 35 pacientes sem uso de VNI e nenhuma intubação.

Com 72 horas, seriam esperadas de quatro a cinco mortes; de 15 a 22 intubações; de três a quatro pacientes em VNI com saturação maior que 94% em ar ambiente; de seis a sete pacientes sem mais uso de VNI; nenhuma alta hospitalar e progressão média de 50% a 60% de pulmões comprometidos para 75% a 80%.

Com o uso do medicamento, o estudo apresentou 35 pacientes sem uso de VNI com saturação maior que 94% em ar ambiente, nenhuma intubação; oito pacientes de alta; e redução de 50% a 60% de pulmões acometidos para 5% a 15%.

O estudo também aponta que o esperado para este grupo seria um tempo de internação média de 21 dias, com cerca de 20 intubações, cinco mortes e nenhuma evolução para ar ambiente. Com uso do medicamento, o grupo de pacientes testados teve um tempo médio de internação de seis dias (redução de 70%), nenhuma intubação, nenhuma morte e 100% de evolução para ar ambiente.

Além do grupo de 42 pacientes hospitalizados, a proxalutamida também foi utilizada em dez pacientes que estavam na UTI. Nas condições em que estavam eram esperadas, em 72 horas, sete mortes (70%), nenhum extubação e uma evolução para a retirada de Nodradrenalina (10%). Com o uso da medicação, nenhuma morte foi registrada, três pacientes (30%) evoluíram para a extubação e sete deles (70%) evoluíram para a retirada da Nodradrenalina. O grupo também registrou 82% de queda do Dímero-D.

Para Daniel Fonseca, a proxalutamida se mostrou uma medicação bastante segura, com poucos efeitos colaterais. “Ela tem ações de cortar o efeito de inflamação pulmonar, o tromboembolismo difuso e infecções bacterianas secundárias. São dados extremamente positivos que não observamos com nenhum outro tipo de medicação. Nenhum demonstrou tanta eficácia”, diz.

Próximos passos

De acordo com Goren, estes são os estágios iniciais do estudo, que continuará até que sua eficácia seja efetivamente comprovada. “Estamos no meio de uma crise mundial e queremos apresentar resultados o quanto antes. Os que obtivemos até aqui são encorajadores”, afirmou.

Para que a eficácia seja comprovada, o estudo precisa obter bons resultados com pelos menos 600 pacientes. Para alcançar esse número, o presidente do grupo Samel, Luis Alberto Nicolau, anunciou a ampliação do estudo para as cidades de Itacoatiara e Parintins.

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Assuntos Covid-19, destaque, proxalutamida
Felipe Campinas 10 de fevereiro de 2021
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1 Comment
  • Francisco disse:
    21 de março de 2021 às 07:44

    Bom dia! Realizar pesquisa comparativa com placebo? E ainda vibrar com os resultados?Eu acho que isso é brincar ou zombar dos pesquisadores, médico e acadêmicos em saúde. Apesar da situação de extrema urgência, toda pesquisa desse porte deve ser realizada primeiro em cobaias,… não?

    Responder

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