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Política.

Pacote anticorrupção: procuradores ameaçam deixar Lava Jato

30 de novembro de 2016 Política.
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O projeto de lei teve iniciativa popular e foi entregue no Congresso Nacional com mais de 2 milhões (Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil)

BRASÍLIA  – Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato ameaçaram nesta quarta-feira, 30, deixar os trabalhos da operação se a proposta que prevê responsabilização de juízes e de membros do Ministério Público por crimes de abuso de autoridade entrar em vigor. A proposta, aprovada na madrugada desta quarta-feira, 30, pelos deputados federais, integra o Projeto de Lei (PL) 4.850/16, que trata das medidas de combate à corrupção.

“A proposta é renunciar coletivamente, se essa proposta vier a ser sancionada pelo presidente da República”, disse o procurador Carlos Lima em entrevista coletiva na tarde de hoje (30), em Curitiba. Para o grupo, o projeto aprovado pelos deputados é uma espécie de “Lei da Intimidação”, no lugar de medidas anticorrupção.

“Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato vêm a público manifestar repúdio ao ataque feito pela Câmara dos Deputados contra investigações e a independência de promotores, procuradores e juízes. A Câmara sinalizou o começo do fim da Lava Jato”, diz a nota divulgada pelo grupo.

De acordo com a proposta aprovada pelos deputados federais, integrantes do Ministério Público poderão responder por crime de responsabilidade se instaurarem um procedimento “sem indícios mínimos da prática de algum delito” e manifestarem opinião em meios de comunicação sobre processos em andamento. A mesma regra valerá para magistrados. A pena é de reclusão de seis meses a dois anos e multa. Qualquer cidadão poderá representar contra magistrados.

Essa proposta foi aprovada por meio de uma emenda do deputado Weverton Rocha (PDT-MA), que foi incluída, durante a votação, no relatório do deputado Onxy Lorenzoni (DEM-RS_.

O projeto de lei teve iniciativa popular e foi entregue no Congresso Nacional com mais de 2 milhões de assinaturas de apoio e previa dez medidas apresentadas pelo Ministério Público. Na avaliação dos procuradores, da forma como foi aprovado pelos deputados, depois de diversas alterações, o projeto é uma ferramenta que protege a corrupção.

“Fica claro com a aprovação dessa lei que a continuidade de qualquer investigação sobre poderosos, parlamentares, políticos, empresários, cria um risco pessoal para os procuradores. Somos funcionários públicos, temos uma carreira e não estaremos mais protegidos pela lei. Se acusarmos, poderemos ser acusados”, ressaltou Lima. Segundo os procuradores, a ferramenta aprovada é uma medida para intimidar o Ministério Público e o Poder Judiciário, “sob o maligno disfarce de “crimes de abuso de autoridade””.

Segundo a nota, o Congresso Nacional se aproveitou do luto nacional, causado pela queda do avião que levava a equipe da Chapecoense, para subverter o projeto inicial, apresentado pelo Ministério Público. “As 10 medidas foram rasgadas. Manteve-se a impunidade dos corruptos e poderosos, expressa no fato de que mais de 90% dos casos de corrupção que acontecem no Brasil não são punidos”, diz o documento.

“Ao chegar ao plenário [da Câmara, o projeto], foi deformado. Rasgou-se o texto da medida anticorrupção e foi aprovado um texto a favor da corrupção”, disse Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba.

A matéria ainda passará pela análise do Senado.

Janot e presidente do STF

Mais cedo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também criticou as mudanças feitas pelos deputados federais no texto original do projeto de lei. Segundo Janot, as alterações colocaram o país “em marcha a ré no combate à corrupção”. De acordo com o procurador, “as 10 Medidas contra a Corrupção não existem mais”.

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, divulgou uma nota em que lamentou a aprovação do projeto que torna crime o abuso de autoridade para juízes e procuradores.

“A presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, ministra Cármen Lúcia, reafirma seu integral respeito ao princípio da separação dos poderes. Mas não pode deixar de lamentar que, em oportunidade de avanço legislativo para a defesa da ética pública, inclua-se, em proposta legislativa de iniciativa popular, texto que pode contrariar a independência do Poder Judiciário”, diz a nota.

(Da Agência Brasil)

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administrador 30 de novembro de 2016
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2 Comments
  • Mirtes disse:
    1 de dezembro de 2016 às 09:19

    Já vão tarde. Deram espetáculos em vez de fazer o seu trabalho. Confundiram a opinião pública. Que haja uma substituição, pois ninguém é contra lavar qualquer corrupção, mas a favor de servidores públicos que ajam de acordo com suas funções. Chega-se ao ponto de apoiar Renan, o que ele disse sobre o fascismo é verdade mesmo. Onde já se viu, pagar para alguém delatar? É óbvio que ninguém deve aceitar isto. Além disso, quem elaborou estas dez medidas não foi o povo. Eles fizeram aquele auê na entrega, mas foram eles mesmos quem fizeram. Damous disse, na comissão, vale a pena ver o vídeo, o quanto o povo vai ser penalizado, as arbitrariedades que podem ocorrer com os pobres e pretos, se essas dez medidas passassem. Ainda bem que não passaram. E eles já vão tarde.

    Responder
  • Mirtes disse:
    1 de dezembro de 2016 às 09:52

    O que a lava-jato faz é terrorismo. Terrorismo judicial. Renan está sendo um líder a altura para defender o Congresso. Pena que lá tem gente fazendo lobby pro temeroso, que morre de medo da opinião pública. O seu papel é presidir o Brasil, mal e porcamente ele o faz, agora quer ir para a cerimônia de despedida dos jogadores chapecoenses. Por que ele não se fez presente na despedida das olimpíadas, que era o seu lugar? Lá, em Chapecó, não é o lugar dele.

    Responder

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