
OPINIÃO
MANAUS – A saúde vem sendo apontada como um dos principais problemas de Manaus pelos eleitores nas pesquisas de intenção de voto realizadas pelo Ipen (Instituto de Pesquisa do Norte) para prefeito de Manaus. A pesquisa traz à tona um sentimento não apenas do eleitorado, mas da população em geral.
Como resposta, a Prefeitura de Manaus e seus gestores têm apresentado números que mostram uma melhora no sistema de saúde municipal, responsável pela atenção básica, e apontando como problemática a rede estadual, que atende a média e alta complexidade, de responsabilidade do estado.
A população, no entanto, não faz distinção, ou não faz ideia de quem é a responsabilidade pelo atendimento de saúde nas unidades que procuram quando precisam de um procedimento de emergência ou quando buscam um diagnóstico para uma dor repentina.
E não é culpa dos cidadãos saber ou não quem é responsável pelo pronto-socorro, pelo hospital X ou Y, ou pelas UBSs (Unidades Básicas de Saúde). O que ele precisa é de atendimento decente, rápido e eficiente. É neste sentido que o eleitor aponta a saúde como um problema.
Essa informação deveria preocupar tanto os gestores quanto os postulantes ao cargo de prefeito de Manaus. Há muito o que se fazer nessa área tanto no município quanto no estado; tanto nas unidades de saúde de responsabilidade da prefeitura quanto nas geridas pelo governo estadual.
Por exemplo: nas unidades de saúde da atenção básica ainda é comum a formação de filas durante a madrugada para marcação de consultas e exames. Isso ocorre porque a oferta é limitada. Um médico ou uma médica contatada para uma carga horária de 20 horas semanais, atende em média 10 horas.
O sistema de distribuição de fichas na porta das unidades básicas de saúde é arcaico. Em Manaus se faz isso há mais 50 anos. O médico ou a médica atendem cerca de 15 pacientes por dia. É esse o número de fichas distribuídas para cada profissional. Todos os dias, centenas de pessoas voltam para casa sem atendimento.
É preciso que os candidatos a prefeito se comprometam com o fim das filas na madrugada e com a mudança no sistema de atendimento: o médico deve cumprir a carga horária e atender quantas pessoas for possível no tempo de permanência na unidade.
Necessária se faz, também, uma campanha série de divulgação à população do tipo de atendimento que ela deve buscar nas unidades de saúde, para evitar que batam com a cara na porta, como ocorre atualmente. Muitas vezes, a pessoa nem tem o dinheiro do transporte para chegar a uma unidade de saúde, onde tem o atendimento recusado, porque foi ao pronto-socorro quando deveria ter ido a uma UBS.
Prefeitura e governo devem unir-se para melhorar o atendimento de saúde, em vez de um ficar apontando o defeito do outro. A população quer ser bem atendida, e nada melhor do que uma rede de saúde eficiente, com cada um fazendo sua parte, mas também ajudando a população, e não criando obstáculos para atendê-la.
Não é uma tarefa fácil corrigir um problema crônico, como é o sistema de saúde brasileiro, mas há no Brasil exemplos de municípios que estão bem mais avançados nesse quesito. É preciso começar um trabalho que não seja o projeto de um político, mas o projeto dos entes federados.

