
Da Redação
MANAUS – Em entrevista ao programa O A da Questão (do AMAZONAS ATUAL) na manhã desta segunda-feira (4), o presidente do Boi Bumbá Garantido, Antônio Andrade, negou que houve debandada de itens na agremiação após a derrota no 55º Festival de Parintins. Ele disse que as saídas de Edílson Santana e David Assayag foi para atender o desejo de Sebastião Júnior e a vontade da galera vermelha e branca, de tê-lo como único levantador de toadas.
Entretanto, Sebastião Júnior foi o primeiro a anunciar a saída do Boi. O dirigente diz que o cantor está com “graves problemas nas cordas vocais” e “não aguentaria as três noites do Festival”.
Antônio Andrade disse que não revelou o problema nas cordas vocais de Sebastião Júnior por questão de humanidade. “Eu não seria o primeiro a falar desse assunto porque eu acho que quem deveria falar era o próprio Sebastião, e não falou. Isso inflamou a galera”.
“A manifestação da galera foi muito forte, inclusive com o ‘Fora Antônio Andrade’ sem entender o processo. Como hoje isso está público, por isso estou falando aqui, para a galera começar a entender o que houve. Finalmente a nação vermelha e branca entendeu o que está acontecendo dentro da nossa agremiação”, afirmou na entrevista.
O dirigente disse que por causa do problema com Sebastião Júnior, ele não aguentaria as três noites do festival. “Agora já está público, a gente sabe que o Sebastião está com problemas graves nas cordas vocais, tem um calo nas cordas vocais. Não aguentaria as três noites. A primeira noite ele estava muito rouco, não teria nem condições de ter entrado”.
A saída dos itens, de acordo com Andrade, foi para deixar Sebastião como único levantador do Garantido. “O Edílson Santana estava aqui na minha casa quando estorou esse problema, conversou comigo e disse: ‘Presidente, já que o Sabá quer ser o levantador único e a galera está pedindo isso, eu vou lhe colocar o cargo à disposição. Uma atitude muito grande do Edílson. Eu liguei para o David [Assayag], expus a situação e o David disse ‘presidente, tudo bem, eu vou entregar o cargo para que o Sabá seja o único levantador de toada’. Foi isso que aconteceu.
Sobre o ‘rodízio’ de levantadores, item individual no Festival, Andrade disse que foi algo programado. “O que estava correto, no planejamento do boi, é que no primeiro dia, na sexta-feira, o David Assayag se apresentaria. No sábado seria o Edílson Santana. E no domingo, fechando o Festival, o Sebastião”.
Apesar de ser uma estratégia inédita, Andrade disse que foi tudo planejado, conforme as características das apresentações.
“Era projeto de Boi de Arena usar um levantador por noite. Nós fizemos uma noite que tinha as características do David. A outra noite que era de resistência negra e por isso colocamos o Edílson Santana, que é negro, bom cantor. E a última noite a gente queria transformar ela numa grande festa, exatamente porque o Sebastião é hoje o levantador que tem muito mais empatia com a galera, a ideia era terminar com ele, com uma grande festa”.
Para o presidente, a estratégia deu certo e os levantadores sabiam antecipadamente. “Foi um negócio inédito. E não foi um desastre. Nós não perdemos nenhuma noite”, disse.
“A ideia foi conversada antes deles assinarem contrato com o Garantido. Inclusive o Sebastião Júnior foi o último a assinar. Já estavam assinados o David, a Márcia Siqueira e o Edílson Santana e ele foi o último. E eu falei com ele claramente que o projeto seria um por noite, como foi. Quando um apareceu na noite do outro, foi para uma pequena participação. Estava combinado. Não foi uma invenção”.
“O que houve na verdade era uma incitação, principalmente de um ex-presidente que quer voltar para o boi de qualquer jeito e quer atrapalhar como puder. É a política interna do Boi, infelizmente. Aí casou essa insatisfação da torcida com um grupo organizado dentro do Boi exatamente para tentar criar o caos e eu ficasse sem condições de administrar”, acusou.
Assista à entrevista completa:
