
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), atribuiu a imigrantes a desorganização de vendedores e o tumulto que deixou três guardas municipais feridos na manhã desta quinta-feira (7) no Centro Histórico de Manaus. A confusão ocorreu durante uma operação para apreensão de mercadorias e materiais de vendedores ambulantes em um depósito na Rua Bernardo Ramos. O local foi interditado por estar insalubre.
Ao falar sobre a ocorrência em live no Facebook, no fim da tarde desta quinta-feira, David Almeida disse que “muitos dos que estão fazendo esse protesto são imigrantes” que não querem se regularizar. O prefeito afirmou ainda que “o brasileiro não sai do país para fazer arruaça no país de ninguém”, e que os ambulantes — cerca de 300 — “deixavam a cidade muito feia”.
“Muitos estão de forma irregular no país e a gente tenta regularizar. E nós encontramos uma solução para eles há dois anos e meio. Fizemos uma ‘Feirinha do Imigrante’ lá na Rua Rocha dos Santos. Lá eles ficam para vender seus produtos. Só que alguns que ali ficam deixam um familiar seu e pegam aquele produto, colocam no carrinho e saem nas ruas do Centro da cidade para vender. Isso nós não vamos admitir”, disse David.
“Em uma abordagem de hoje, com a equipe da Guarda Municipal, houve um tumulto em que essas pessoas foram incentivadas, insufladas até por pessoas que se dizem do jornalismo, mas não fazem jornalismo. Eles atentam contra a ordem pública”, completou o prefeito.

O ATUAL acompanhou o protesto nas proximidades da Catedral Metropolitana de Manaus. Os manifestantes eram majoritariamente brasileiros. O grupo bloqueou o acesso de ônibus ao Terminal da Matriz. Os veículos eram direcionados a prosseguir pela Avenida Sete de Setembro. Agentes do IMMU (Instituto Municipal de Mobilidade Urbana) estavam no local.
De acordo com os trabalhadores, a ação da prefeitura ocorreu por volta de 6h. Os fiscais da Semacc (Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal) identificaram que o local era usado para armazenar frutas e outros alimentos.
“Encontramos um depósito onde tinha muito material com alimentação vencida, estragada. Muita barata, rato, cachorro, fezes de animais do lado, fossa aberta ao lado de alimento que é servido à população”, disse David.
O tumulto que deixou três guardas municipais feridos ocorreu na frente do depósito que foi alvo da fiscalização, na Rua Bernardo Ramos, logo no início da operação. Alguns vendedores resistiram à ação da Guarda Municipal e tentaram impedir a apreensão. Em razão da resistência, os guardas usaram a força. O momento do tumulto foi registrado em vídeo por pessoas que estavam no local.
De acordo com trabalhadores que presenciaram o tumulto, os ambulantes partiram para cima dos guardas após um vendedor, idoso de nacionalidade venezuelana, ser agredido com cacetetes.
O idoso permaneceu nas proximidades do depósito com outras vendedoras ambulantes venezuelanas no momento em que o grupo se manifestava na Avenida Sete de Setembro.
David disse que um dos agentes foi atingido na cabeça e teve afundamento no crânio. Ele recebeu atendimento médico.
Truculência
Trabalhadores relataram truculência na ação da prefeitura. Uma das vendedoras, de 50 anos, relatou que trabalha no terminal há décadas e que não recebeu qualquer notificação para deixar o local. Todos os produtos que ela vendia em uma banquinha nas proximidades do Banco do Brasil foram apreendidos. Ela estima que o prejuízo tenha chegado a R$ 3 mil.

Crimes
O prefeito também associou os imigrantes a práticas criminosas ao fazer comentários sobre detenção de pessoas, fechamento de “bocas de fumo” e ameaças a servidores, no momento em que comentava sobre a confusão.
David afirmou que a Secretaria Municipal de Segurança Pública havia detido sete pessoas com mandado de prisão pendente de cumprimento por tráfico de drogas e fechado lugares usados para o consumo de entorpecentes.
“A população toda sabe que a droga está sendo vendida de forma aberta e clara. E nós identificamos e fechamos sete lugares, bocas de fumo. E outra: os servidores da prefeitura, para vocês que não sabem, estão sendo ameaçados”, afirmou o prefeito.
“Hoje três servidores da Prefeitura de Manaus, da Guarda Municipal, foram para o hospital. O Lucas, o Hebert e o Romério. Eles estavam só fazendo seu trabalho e foram agredidos e receberam pedradas dessas pessoas que estão irregulares, muitas delas que não são nem brasileiras”, disse David.
“O brasileiro não sai do país para fazer arruaça no país de ninguém. Nós queremos ser solidários com os imigrantes, vocês são bem-vindos, mas nós queremos regularizar vocês. Não vamos permitir que vocês baguncem a cidade de Manaus, porque nós estamos colocando ordem. Além de bagunçar, agrediram os nossos servidores”, completou.
Regularização
David disse que a operação é permanente e orientou vendedores ambulantes a procurarem a Semacc. “Da forma que estava não vai permanecer”, disse o prefeito.
“Mais de 300 ambulantes que estavam com esses carrinhos deixavam a cidade muito feia. Nós não vamos mais permitir isso. Nós queremos ordenar, organizar e dar um lugar adequado para que eles possam sobreviver com a venda desses produtos”, afirmou.
David também disse que a apreensão só ocorre quando o vendedor já recebeu diversas notificações e não cumpriu a ordem. Segundo o prefeito, quando os agentes usam “força maior do que a necessária” é porque “a pessoa foi notificada mais de 30 ou 50 vezes”. “Às vezes, os nossos fiscais acabam perdendo um pouco a mão, mas não é essa nossa orientação. A gente lamenta esses ocorridos”, concluiu.
