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Dia a Dia

Poluição na Amazônia atinge 80 vezes a média normal em agosto, diz o Inpa

10 de setembro de 2024 Dia a Dia
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Horizonte visto da Torre ATTO em agosto (Foto: Divulgação/Inpa)
Horizonte visto da Torre ATTO, do Inpa, no Uatumã, em agosto (Foto: Divulgação/Inpa)
Do ATUAL

MANAUS — Em agosto, a poluição atmosférica na região amazônica superou em até 80 vezes a média registrada na estação chuvosa e ao menos 13 vezes a média da estação seca, informou o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

Os dados foram coletados pelo Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO), localizado na Estação Científica de Uatumã, a cerca de 150 km ao norte de Manaus. A área da reserva, distante de centros urbanos e atividades econômicas, permite uma análise mais precisa dos processos atmosféricos.

A concentração de material particulado fino, conhecido tecnicamente como MP2.5, aumenta todos os anos durante a estação seca devido a incêndios florestais. Durante a estação chuvosa, a concentração média é de cerca de 1 µg/m³ (microgramas por metro cúbico). Na estação seca, esse valor varia entre 5 e 7 µg/m³. No último mês, os registros mostraram picos muito acima do normal.

Entre os dias 10 e 15 de agosto, a concentração média foi de 60 µg/m³. Entre 27 e 30 de agosto, a média diária chegou a 80 µg/m³. Imagens capturadas no dia 28 de agosto mostram uma densa nuvem de fumaça sobre a floresta e ao redor das torres do observatório.

“Ainda não sabemos as causas do aumento das concentrações nesse período. Isso pode estar relacionado a um possível aumento dos focos de queimadas em toda a Amazônia, ou ainda à presença de focos de queimadas mais próximos à torre ATTO […] Quanto mais perto for a frente de queimadas, mais altas serão as concentrações”, disse Luciana Rizzo, pesquisadora do ATTO.

Ela observou que, embora não ocorram grandes queimadas nos arredores do ATTO, a torre detecta a fumaça proveniente de outras áreas da floresta.

O monitoramento de MP2.5 e outros poluentes é realizado por equipamentos instalados no alto da torre ATTO, com coleta de dados a cada 30 minutos. Os métodos utilizados seguem as recomendações de agências ambientais internacionais.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que a média diária de MP2.5 seja inferior a 15 µg/m³. Altas concentrações podem agravar doenças cardiorrespiratórias e impactar os ecossistemas, alterando as propriedades das nuvens e a quantidade de luz solar que atinge a superfície da Terra.

O ATTO é composto por três torres, sendo a principal com 325 metros de altura, equipada com sensores que monitoram a circulação de partículas em um raio de até 400 km. O objetivo do projeto é compreender melhor os processos atmosféricos na floresta amazônica.

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