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Política

Policiais querem usar apoio para pressionar Bolsonaro a atender reivindicações

1 de janeiro de 2022 Política
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Policiais Militares e Bolsonaro em Manaus
Presidente da República Jair Bolsonaro com policiais em Manaus: apoio político da categoria (Foto: PR/Divulgação)
Por Thiago Resende, da Folhapress

BRASÍLIA – Em meio à campanha para reestruturação da carreira e aumento salarial, o presidente da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), Luís Antônio Boudens, disse que o apoio eleitoral da categoria ao presidente Jair Bolsonaro (PL) é maior que entre militares, que, segundo ele, foram beneficiados durante negociações com o governo federal, por exemplo, na reforma da Previdência.

“Como o presidente (Bolsonaro) teve muito apoio das categorias de policiais federais, principalmente Polícia Federal e PRF (Polícia Rodoviária Federal), eu acredito que pode ser um momento frutífero”, afirmou Boudens em entrevista à Folha.

Ele cita que houve muitos prejuízos aos policiais em medidas adotadas pelo governo, como na reforma da Previdência e na reforma administrativa -na reestruturação previdenciária, Bolsonaro interveio e o Congresso aprovou regras mais brandas para essas corporações; e a reforma administrativa ainda não foi aprovada.

“O governo não teve um olhar direcionado para os policiais. É um exagero dizer que teve um privilégio. Se fosse verdade, o governo já teria enviado (previsto a reestruturação das carreiras) desde o início [da discussão do Orçamento”, afirmou Boudens. Ele também faz uma comparação com os militares, que tiveram uma reestruturação das carreiras junto com a reforma da Previdência.

O aumento aos policiais foi um pedido do próprio presidente Bolsonaro. Apenas PF, PRF (Polícia Rodoviária Federal) e Depen (Departamento Penitenciário Nacional), além de agentes comunitários de saúde, obtiveram previsão de reajuste dentro do funcionalismo. O Orçamento prevê R$ 1,7 bilhão para o reajuste para essas corporações.

O plano, que teve apoio também do ministro da Justiça, Anderson Torres, era que a reestruturação dessas carreiras chegasse a R$ 2,8 bilhões no próximo ano. Mas, diante do aperto no Orçamento, a verba foi reduzida. Isso exigirá uma reformulação do projeto.

O apoio político do reajuste salarial a policiais gerou uma pressão para que o governo também dê aumento para diversas outras categorias, que ameaçam com paralisação de um ou dois dias em janeiro e, se a negociação por reajuste generalizado não avançar, deve ser discutida uma greve em fevereiro.

Boudens disse que “buscar recomposição pela inflação é direito de todos servidores”. A Fenapef, que representa 14,1 mil funcionários públicos, não deve aderir ao movimento grevista. “Há decisões da Justiça que nos impedem de fazer greve. Somos serviço essencial de segurança pública”, argumentou.

A Polícia Federal se sente confortável em fazer esse tipo de solicitação (reestruturação da carreira). Somos um órgão superavitário”, afirmou Boudens, se referindo a recursos que vão para os cofres públicos por atuação da categoria, como apreensões, verba recuperada por causa de investigações contra a corrupção, além de taxas cobradas por emissão de passaportes e imigração.

O tratamento diferenciado, após a promessa de Bolsonaro, desperta a indignação das categorias preteridas.

Enquanto o presidente acena com aumentos a 45 mil policiais, cerca de 1 milhão de servidores federais estão sem reajuste há cinco anos.

Na PF, a remuneração de um agente vai de R$ 12.522,50 a R$ 18.651,79 por mês. Os delegados, por sua vez, ganham de R$ 23.692,74 a R$ 30.936,91. Na PRF, os vencimentos vão de R$ 9.899,88 a R$ 16.552,34 mensais.

A pirâmide salarial do Executivo federal, porém, mostra que 4,72% dos servidores ativos recebem até R$ 3.000 mensais. Outros 23,54% ganham entre R$ 3.000 e R$ 6.000.

A pressão por reajuste generalizado cresceu desde a semana passada e a elite do funcionalismo promete se unir numa greve geral caso não avance nas negociações por aumento salarial.

Isso preocupa a equipe econômica. Em mensagens encaminhadas a ministros e membros do governo, o ministro Paulo Guedes (Economia) pediu apoio contra o reajuste amplo aos servidores, que, segundo ele, pode quebrar o país.

Nos cálculos do governo, cada aumento de 1% linear a todos os servidores tem um impacto de R$ 3 bilhões.

Boudens disse que o impacto orçamentário da reestruturação das carreiras policiais é pequeno.

Segundo ele, o movimento de greve geral pode atrapalhar a articulação pela reestruturação das carreiras policiais. “Mas o presidente Bolsonaro tem sido muito firme na consolidação do que ele já se comprometeu a fazer”.

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Murilo Rodrigues 1 de janeiro de 2022
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