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Política

Polícia intima Bonner e Renata após censura no caso das ‘rachadinhas’

4 de dezembro de 2020 Política
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William Bonner disse que seu filho não pediu auxílio nenhum, não autorizou, ,'mais uma fraude, obviamente' (Foto: TV Globo/Reprodução)
Willian Bonner e Renata Vasconcellos são intimados a depor por censura no caso das rachadinhas (Foto: TV Globo/Reprodução)
Por Gabriel Sabóia e Luís Adorno, da Folhapress

RIO DE JANEIRO – A Polícia Civil do Rio intimou William Bonner e Renata Vasconcellos, apresentadores do Jornal Nacional (TV Globo), a depor por suposto crime de desobediência a uma decisão judicial relacionada a publicações que envolvem a investigação das “rachadinhas” no então gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio.

Procurada, a TV Globo informou que não se manifesta sobre procedimentos legais em curso. A emissora foi proibida judicialmente de publicar informações sigilosas sobre o caso, que envolve o senador Flávio (Republicanos-RJ), filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e o ex-assessor dele Fabrício Queiroz.

Os depoimentos de Bonner e Renata foram pedidos no contexto de investigação policial sobre suposta “desobediência a decisão judicial sobre perda ou suspensão de direito”.

Os mandados de intimação, feitos pelo delegado Pablo Dacosta Sartori e obtidos pela reportagem, foram emitidos na tarde de quarta-feira, 2.

De acordo com os documentos, ambos são intimados a comparecer à sede da DRCI (Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática), no bairro de Benfica, na zona norte do Rio, na próxima quarta, 9. Renata às 14h, e Bonner às 14h30.

Ainda segundo os mandados de intimação, caso os jornalistas deixem de comparecer sem justificativa no local, data e horário estipulados incorrerão em “crime de desobediência, previsto no artigo 330 do Código Penal”.

A Globo ficou impedida em setembro de publicar reportagens que mostrassem documentos sigilosos sobre Flávio Bolsonaro por decisão de Cristina Feijó, juíza da 33ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, que atendeu a pedido feito pelo senador por meio de seus advogados, Rodrigo Roca e Luciana Pires.

Na ocasião, a Globo afirmou que a decisão judicial é um cerceamento à liberdade de informar, uma vez que a investigação é de interesse de toda a sociedade.

ENTENDA O CASO

Flávio Bolsonaro é acusado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio) por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa em suposto esquema do qual faria parte seu então assessor Fabrício Queiroz, amigo do presidente Bolsonaro e demitido em 2018 após vierem à tona os primeiros indícios de irregularidades no gabinete do filho do presidente na Assembleia do Rio.

Queiroz, que foi preso em Atibaia (SP) em junho passado e cumpre prisão domiciliar no Rio, é apontado como o operador de um esquema de “rachadinhas” em que funcionários do então gabinete de Flávio devolviam parte de seus salários.

Uma denúncia foi apresentada contra ambos e mais 15 investigados, entre eles ex-assessores, no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio –se aceita, eles se tornarão réus.

O MP-RJ aponta o senador como o líder do esquema ao dizer que ele foi beneficiado por meio de lavagem de dinheiro em negócios imobiliários e pagamentos de boletos de despesas da família por Queiroz.

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Assuntos Flávio Bolsonaro, rachadinha, Renata Vasconcellos, William Bonner
Redação 4 de dezembro de 2020
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