
Do ATUAL
MANAUS — O senador Plínio Valério (PSDB) atribui o enfraquecimento do PSDB à falta de protagonismo nas eleições presidenciais de 2022. Em entrevista ao ATUAL na segunda-feira (19), o senador avaliou que a sigla cometeu “uma série de erros”, entre eles a decisão de não manter uma candidatura própria à Presidência da República.
“Escolheram Dória, eu votei no Eduardo Leite. E não respeitaram o Dória como candidato, e teria que ser respeitado. Então, ali foi o fim”, disse. Segundo o senador, ao apoiar Simone Tebet (MDB) o partido deixou de ser protagonista para se tornar “coadjuvante de um filme de terceira categoria”.
Segundo Plínio, o enfraquecimento do partido é resultado também de fatores como a saída de nomes importantes da sigla, entre eles Fernando Henrique Cardoso e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, que morreu em 2021. Mesmo assim, ele reforçou que o erro estratégico na eleição presidencial foi decisivo.
“Então, nós deixamos de ser protagonista que estávamos sendo há décadas para ser coadjuvante de um filme de terceira categoria. Eu acho que a gente pagou um preço alto, mas não é só isso não. São vários fatores que levaram. E a gente está vendo um novo momento”, afirmou.
Fusão
Plínio Valério confirmou que a fusão entre PSDB e Podemos está em fase avançada. Apesar de o termo adotado ser “fusão”, ele explicou que se trata, na prática, da incorporação do Podemos ao PSDB. A sigla temporária será PSDB/Podemos, com definição final prevista até as eleições.
“Está bem adiantado. Eu diria até que é certo, mas eu só posso dizer que é certo quando a gente realmente sentar para decidir isso”, disse o senador, ao destacar que o processo ainda depende de análise e aprovação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), prevista para outubro.
O parlamentar afirmou que a união tem como meta fortalecer a representatividade de um partido de centro. “Queremos ser uma alternativa de centro, nem esquerda, nem direita, e para isso precisamos nos agrupar”, afirmou.
Segundo Plínio Valério, a fusão trará ganhos em estrutura e presença no Congresso Nacional. “Nós vamos passar de três senadores para sete. Vamos passar de 15 deputados federais para quase 30. O fundo partidário aumenta, o fundo de financiamento de campanha aumenta. Para o partido em si é bom”, avaliou.
Plínio também mencionou que a incorporação resolve um obstáculo em sua atuação política. “Acabou o único problema que o senador tinha, que era tempo de televisão”, afirmou.
Sobre o cenário político nacional, o senador avaliou que partidos pequenos tendem a desaparecer se não buscarem alianças. “A tendência é as siglas pequenas morrerem, sumirem, para que fiquem poucas siglas”, disse.
Críticas ao presidencialismo
Na entrevista ele criticou o sistema presidencialista e a concentração de poder nas mãos de poucas figuras políticas. “O presidente vai e se acha, ele bota tudo debaixo do sovaco e acabou. Isso é ruim, é uma coisa ruim que tem na tradição”, afirmou.
Plínio defendeu que o país retome o debate sobre o parlamentarismo e sugeriu o fim da reeleição para cargos do Executivo. “É quase consenso. A reeleição é prejudicial. Se a gente acabar com essa cultura de que o presidente é que manda. Isso é cultural, porque não está no regimento”.
Ele também propôs limites de mandato para vereadores e deputados para incentivar a renovação política. “Você se acomoda, não estou criticando ninguém, o cara é vereador, vereador, vereador, até perder. […] Concorrer hoje em Manaus com vereador de mandato é uma injustiça doida”, disse. Para o senador, a medida impediria que “a missão virasse profissão”.
