
Por Felipe de Paula, Fausto Macedo e Vinícius Valfré, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – A Polícia Federal cumpre, nesta quinta-feira (6), 25 mandados de busca e apreensão para investigar um desvio de R$ 308 milhões envolvendo um acordo celebrado entre o Estado de Mato Grosso e a empresa privada de telefonia ‘Oi’ na gestão do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil). As medidas foram expedidas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino.
A sede da Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e a residência de Mauro Mendes, que é pré-candidato ao Senado, são alvo de buscas por agentes da PF. Em nota, a PGE-MT informou que “irá contribuir com tudo que for requerido”. A reportagem pediu manifestação de Mauro Mendes e da ‘Oi’ sobre as investigações. O espaço está aberto.
O desembargador Ricardo Gomes de Almeida, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, também é alvo de mandados de busca e apreensão. Ele foi nomeado para o cargo em novembro de 2025, após ser escolhido pelo então governador Mauro Mendes por meio do quinto constitucional da advocacia. O Estadãoprocurou o magistrado por meio da assessoria de imprensa do tribunal.
“Há indícios de que a operação financeira tenha sido utilizada para viabilizar o desvio de recursos públicos, mediante a utilização de estrutura financeira composta por fundos de investimento em cascata e pessoas jurídicas interpostas, com o objetivo de ocultar e de dissimular a origem, a movimentação e a destinação do dinheiro”, informou a PF.
As buscas da Operação Heritage são cumpridas nos Estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Também estão sendo cumpridas medidas de afastamento dos sigilos bancário e fiscal, bloqueio e indisponibilidade de bens até o limite aproximado de R$ 316 milhões, proibição de saída do País com o recolhimento de passaportes, proibição de contato entre investigados, entre outras medidas cautelares.
CPI do Crime Organizado
A operação deflagrada nesta quinta-feira, 6, tem relação com o depoimento prestado pelo ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques à CPI do Crime Organizado, em março deste ano.
Na ocasião, Taques afirmou que R$ 308 milhões provenientes da devolução de tributos cobrados indevidamente foram direcionados, por meio do Banco Master, a empresas ligadas a aliados de Mauro Mendes. Segundo Taques, a empresa ‘Oi’, que originalmente teria direito aos recursos, cedeu esse crédito a um terceiro.
De acordo com Taques, esse terceiro firmou um acordo com o Estado de Mato Grosso, que depositou os valores em dois fundos administrados pelo Banco Master — Royal Capital e Lotte World. O dinheiro, segundo ele, acabou sendo destinado a empresas ligadas ao filho, à esposa e a aliados de Mauro Mendes.
“Esse terceiro entrou em acordo com o Estado, que depositou [o valor] em dois fundos constituídos, geridos e administrados pelo Banco Master: Royal Capital e Lotte World. E [o dinheiro] chega em empresas beneficiárias do filho, da esposa e de aliados do governador de Mato Grosso [Mauro Mendes]”, afirmou Taques à CPI.
Segundo a PF, os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.
