
Da Redação
MANAUS – Os pesquisadores Lucas Ferrante e Philip M. Fearnside, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), publicaram artigo na Universidade de Cambridge denunciando a ‘agenda da morte’ promovida pelo presidente da República Jair Bolsonaro e ruralistas, que, segundo eles, ameaçam “o meio ambiente, os povos tradicionais da Amazônia e o clima global”.
O pesquisador Lucas Ferrante afirmou que o termo “agenda da morte” trata-se da agenda progressista que representa a liberação de agrotóxicos, restrição de medidas de combate a trabalho escravo e outras medidas que “afetam a população drasticamente”. “É basicamente uma agenda da morte que a gente observa. A gente decidiu optar por esse termo que é uma agenda progressista da bancada ruralista. E esse tempo já vem surgindo em alguns meios já com outros nomes ou nomes parecidos”, disse o pesquisador.
De acordo com os pesquisadores, o interesse de ruralistas na floresta Amazônica ocorre porque os biomas Mata Atlântica e Cerrado do Brasil foram “quase totalmente absorvidos pelo agronegócio, com apenas 8% a 11% remanescentes da Mata Atlântica e 19% a 20% do Cerrado”. Para Ferrante e Fearnside, esse interesse “ameaça a biodiversidade e os povos tradicionais da região, bem como o clima regional e global”.
Entre os fatos que compõem a “agenda da morte”, está a escolha do ruralista Ricardo Salles para o Ministério do Meio Ambiente. Os pesquisadores afirmam que o ministro foi condenado por alteração “maliciosa dos mapas de zoneamento de uma área de proteção ambiental em dezembro de 2018”. “Salles sustenta que a mudança climática observada pode ser totalmente natural e rejeita toda discussão sobre o aquecimento global como ‘inócua'”, diz trecho do artigo.
De acordo com Ferrante e Fearnside, o presidente afirmou repetidamente o desejo de enfraquecer o licenciamento ambiental e prometeu remover a autoridade de licenciamento do Ibama. Essa medida, segundo os pesquisadores, provavelmente levará a novos desastres, como as rupturas da barragem de rejeitos das minas de Mariana e Brumadinho.
A retirada de superintendentes do Ibama de 21 dos 27 estados do Brasil, a ideia de criar um “núcleo” dentro do Ministério do Meio Ambiente para revisar e modificar ou anular multas emitidas pelo Ibama e o enfraquecimento de ações do órgão de proteção do meio ambiente no primeiro semestre de 2019 também são citadas pelos pesquisadores como medidas que ameaçam o clima do planeta.
“O Ibama agora frequentemente avisa com antecedência de onde vai realizar inspeções de desmatamento ilegal, o que levou a nenhuma punição dos infratores, apesar de 95% do desmatamento ocorrido nos três primeiros meses da administração presidencial ser ilegal (MapBiomas 2019). As taxas de desmatamento subiram, com a taxa em junho de 2019 (o primeiro mês da nova estação seca na nova presidência) subindo 88% em relação à taxa de 2018 no mesmo mês (INPE 2019)”, diz trecho do artigo.

Trecho do artigo afirma que o ministro Ricardo Salles tem tentado “perverter” o Fundo Amazônia para indenizar o desmatamento pelo qual Salles concedeu anistia, que Bolsonaro e a ministra da Agricultura Tereza Cristina Dias propõem flexibilizar o código florestal, incluindo a extensão dos prazos para a recuperação ambiental e a “alteração da data limite para exigir que os proprietários restaurem a vegetação natural em áreas que desmataram ilegalmente em suas áreas de proteção permanente e reservas legais”. Para os pesquisadores, o resultado disso seria que muitos escapam de qualquer consequência por violações passadas.
Em outro trecho do artigo, os pesquisadores dizem que Bolsonaro nega a existência de mudanças climáticas antropogênicas e escolheu um ministro de relações exteriores que considera o aquecimento global uma “invenção da ideologia marxista”. “Um dos seus primeiros atos como ministro foi abolir os setores do ministério que lidam com a mudança climática e com o meio ambiente”, afirmam.
Ferrante e Fearnside afirmam que a “agenda da morte” inclui a abolição das reservas legais e a abertura de unidades de conservação e terras indígenas à mineração, agricultura e pecuária. Para eles, bloquear a demarcação de terras indígenas e rotular os movimentos sociais como “terroristas” tendem a inflar os conflitos de terra na Amazônia, ameaçando os povos tradicionais.
“As ações atualmente propostas pelo novo presidente e seus apoiadores ruralistas impactariam florestas, biodiversidade e povos tradicionais, incluindo povos indígenas, membros de quilombos e ribeirinhos. A liberação de dúzias de novos agrotóxicos pelo governo presidencial já coloca em risco o meio ambiente, os trabalhadores agrícolas e os consumidores nacionais e internacionais”, diz trecho do artigo.
O pesquisador Lucas Ferrante afirmou que o artigo é baseado em notícias jornalísticas que foram comprovadas pelos pesquisadores e as consequências descritas foram baseadas em artigos científicos. “É um artigo baseado nas notícias jornalísticas. Então, a gente comprovou as notícias jornalísticas soltadas na mídia, fez uma revisão de todos os atos do governo e baseada em artigos científicos, nós respaldamos as consequências dessas ações do governo”, afirmou.
De acordo com Ferrante, o processo de checagem das informações publicadas pela imprensa ocorreu através do DOU (Diário Oficial da União) e das falas do presidente e dos ministros gravadas em vídeo. “O processo para chegar as notícias muitas vezes foi através do próprio diário oficial da união, onde a gente viu as medidas publicadas pelo próprio governo. Além de verificar as afirmações durante a campanha do Bolsonaro ou dos ministros, as declarações que foram feitas”, disse Lucas Ferrantes.
Confira a publicação na revista, em inglês

Boa tarde;
O Philip não deveria utilizar o nome do INPA de forma genérica. Ele não tem essa autorização.
O Lucas Ferrante não é pesquisador do INPA. É “aluno” de Pós-graduação e me parece, orientando do Philip.
E, se se considerar a visão de sustentabilidade do Philip, a BR 319 vai ficar sem asfalto para sempre!!! O que sempre foi pregado por ele. É só pesquisar…
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