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Pesquisa sobre diplomacia na Amazônia ganha prêmio acadêmico em Portugal

13 de dezembro de 2019 Dia a Dia.
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Mineração em Unidades de Conservação na Amazônia (Foto: Felipe Werneck/Ibama)

Por Giuliana Miranda, da Folhapress

LISBOA-PORTUGAL – Um trabalho brasileiro foi o primeiro vencedor de um novo prêmio da Universidade do Algarve, no sul de Portugal, dedicado à excelência acadêmica. O livro ‘A Institucionalização da Pan-Amazônia’, de Paulo Henrique Faria Nunes, professor da PUC Goiás, foi escolhido por unanimidade pelo júri.

A obra analisa a necessidade e também as dificuldades do estabelecimento de uma ‘diplomacia pan-amazônica’, uma vez que a floresta representa, simultaneamente, um trunfo e um motivo de preocupação para o país.

Multidisciplinar, o trabalho reúne aspectos de várias áreas do conhecimento e mergulha em documentos e estatísticas sobre a região amazônica.

Segundo o autor, “a produção dedicada ao assunto é pequena e, consequentemente, os problemas da diplomacia pan-amazônica não figuram entre as leituras regulares de estudantes de geografia, ciência política, relações internacionais e direito”.

Uma das integrantes do júri, a escritora Lidia Jorge destacou a complexidade da obra e seu diferencial em apresentar propostas para melhorar a região.

“Há uma proposta de ação explícita: a necessidade absoluta e imperiosa da instauração de instrumentos jurídicos institucionais, que contribuam para uma articulação eficaz entre os oito estados, tendo em vista o desenvolvimento das populações e mantendo ao mesmo tempo o equilíbrio dos vários ecossistemas cruzados”, afirmou.

Ao aceitar o prêmio, Paulo Henrique Faria Nunes destacou as dificuldades para a atividade dos professores no brasil. “Nós professores e pesquisadores brasileiros enfrentamos muitos obstáculos para desenvolvermos projetos de investigação, principalmente nas instituições privadas. As universidades brasileiras priorizam exageradamente as atividades do professor em sala de aula e nem sempre estão dispostas a investir na produção do conhecimento”, afirmou.

Criado em comemoração dos 40 anos de fundação da Universidade do Algarve, o prêmio Manuel Gomes Guerreiro – batizado em homenagem ao cientista e primeiro reitor da instituição – teve sua primeira edição em 2019 e será, a partir de agora, anual.

O objetivo é contemplar uma obra publicada, livro ou tese de doutorado, “que contribua para o desenvolvimento científico numa das áreas de conhecimento” da universidade. A obra vencedora recebe 10 mil euros (cerca de R$ 45,6 mil).

Com mais de 8 mil estudantes, a Universidade do Algarve tem forte presença de estrangeiros: cerca de 23% dos alunos são de fora de Portugal. Embora os estudantes internacionais sejam de 85 nacionalidades diferente, os brasileiros são maioria entre os que vêm do exterior.

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Assuntos Amazônia, diplomacia
Cleber Oliveira 13 de dezembro de 2019
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