MANAUS – Em 1999, após a grande invasão de barcos pesqueiros no Lago do Piraruacá, no município de Terra Santa (PA), um líder comunitário chamado Manoelino Bentes, o “Mocinho Lobo”, resolveu procurar mestre Paulo Andrade, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em busca de ajuda para conservar os recursos do lago que estavam sendo saqueados. Surgiu a ideia de realizar uma parceria com as comunidades locais e, em uma assembléia popular, em maio de 1999, foi criada a base do que seria o Projeto Pé de Pincha, que neste ano completa 15 anos.
Essa nova aliança visava conservar as populações de quelônios através do manejo participativo, envolvendo ribeirinhos, produtores, professores e alunos locais, em um trabalho de educação ambiental. Inicialmente, aderiram a esta nova força sete comunidades. Hoje, já são 118 localidades que participam, com resultados que impressionam: em 15 anos de trabalho mais de 1,5 milhão de filhotes de quelônios foram soltos na natureza.
Com patrocínio do Programa Petrobras Ambiental, estão envolvidos 16 municípios e 118 comunidades, sendo 12 no Estado do Amazonas, (Manaus, Barcelos, Maués, Itacoatiara, Barreirinha, Parintins, Canutama, Carauari, Careiro, Nhamundá, Novo Airão e Borba) e quatro no Estado do Pará (Oriximiná, Juriri, Faro e Terra Santa).
As solturas são feitas em datas diferentes, conforme o cronograma das comunidades envolvidas. Com apoio da Embratel e do Centro Estadual de Unidades de Conservação (Ceuc), o Pé de Pincha está concluindo nesta semana os trabalhos de 2013 nas comunidades do Mamuri e Igapó Açu, nos municípios de Borba e Careiro Castanho, na BR1-319. Serão devolvidos à natureza 675 tracajás (P. Unifilis) nas duas comunidades.

