
Do ATUAL
MANAUS — O orçamento do Governo do Amazonas para 2026, ano de eleições gerais, está estimado em R$ 38,05 bilhões conforme consta no projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) em tramitação na Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas). Um aumento de R$ 6,65 bilhões (20,9%) em comparação ao aprovado para 2025, que foi de R$ 31,45 bilhões.
O valor está na Mensagem Governamental nº 125/2025, do governador Wilson Lima, que cita a necessidade de manter “prudência e disciplina fiscal” diante de um cenário de incertezas econômicas.
De acordo com o texto, o maior volume de recursos será destinado aos Poderes Legislativo e Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e municípios que juntos somam R$ 8,2 bilhões. Desse total, R$ 3,31 bilhões vão para o Poder Legislativo, o Poder Judiciário, o MPAM (Ministério Público do Estado) e a DPE-AM (Defensoria Pública do Estado) e R$ 4,88 bilhões serão rateados entre os municípios.
O pagamento da dívida pública, interna e externa, está estimado em R$ 2,51 bilhões, 6,69% da receita total do orçamento estadual.
Entre os serviços públicos, os recursos para a Seduc (Secretaria de Educação) e o Cetam (Centro de Educação Tecnológica do Amazonas) são de R$ 5,28 bilhões, com 73,8% do valor vindo do Tesouro Estadual. A UEA (Universidade do Estado do Amazonas) receberá R$ 1,03 bilhão, o equivalente a 2,75% da receita total.
A saúde é o segundo maior gasto direto, com R$ 4,58 bilhões, sendo R$ 3,71 bilhões de origem estadual. Segundo o governador, o valor “excede em R$ 998,3 milhões o limite constitucional mínimo exigido”, o que, segundo ele, “demonstra o compromisso deste governo com a área da saúde”.
Na segurança pública, o orçamento previsto é de R$ 3,43 bilhões, correspondente a 9,12% da receita total. Para o setor primário foram reservados R$ 507,4 milhões (1,35%). As emendas parlamentares impositivas somam R$ 640 milhões, o equivalente a 1,7% da receita total.
O projeto será avaliado pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) antes de passar pelas demais comissões e depois será colocada em pauta para votação em plenário.
Cenário econômico
Na mensagem, Wilson Lima dedicou parte do texto a prevê o cenário econômico global e nacional. Ele escreveu que “o cenário econômico mundial segue permeado por elevado grau de incerteza, reflexo de uma reconfiguração estrutural nas cadeias de valores globais e da redefinição das políticas comerciais e industriais das grandes economias”.
O governador citou que a instabilidade geopolítica “tem ampliado a volatilidade nos preços de energia, alimentos e insumos industriais, gerando pressões inflacionárias persistentes”. Ainda segundo ele, “para o Brasil e, em particular, para o Amazonas, tais movimentos são de grande relevância, uma vez que o dinamismo da economia amazonense depende fortemente da absorção nacional e das condições do comércio internacional”.
Wilson Lima mencionou que o PIM (Polo Industrial de Manaus) está sensível às variações do câmbio, à demanda doméstica e à política de juros e que o Estado “permanece vulnerável a fatores exógenos, como eventos climáticos extremos […] e mudanças nas regras de incentivos fiscais nacionais, que podem alterar a competitividade do Polo Industrial de Manaus”.
O governador defendeu a necessidade de manter o controle das contas públicas. “2026 exigirá prudência e disciplina fiscal, com gestão eficiente da arrecadação, racionalização dos gastos públicos e monitoramento rigoroso das políticas de incentivos”, afirmou.
Ele acrescentou que “um dos maiores objetivos deste Governo continua sendo a adoção de medidas que garantam o equilíbrio das contas públicas e a retomada do crescimento econômico de forma sustentável”.
