
Por Iolanda Ventura, da Redação
MANAUS – Sem medidas concretas para conter as queimadas na Amazônia, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, anunciou nesta terça-feira, 3, em Manaus, que pedirá a prorrogação do GLO Ambiental (Grupo de Lei e Ordem) por mais um mês na região para combater os incêndios. O GLO é formado por militares do Exército que atuam na logística de transporte de bombeiros e apoio ao Ibama e Polícia Federal na investigação de incêndios criminosos. O anúncio ocorreu após reunião com os governadores do Amazonas, Roraima, Rondônia e Acre, estados da Amazônia Ocidental.
Além de Onyx, a reunião de duas horas na sede do governo teve participação dos ministros do Meio Ambiente, Ricardo Sales, e da Defesa, general do Exército Fernando Azevedo e Silva, e do secretário-geral da Presidência Jorge Antônio de Oliveira. “Uma das propostas que vamos levar da reunião com os governadores é para que a GLO não se encerre no dia 24 de setembro, que ele continue o seu trabalho pelo menos por mais um mês até outubro”, disse Lorenzoni.
Conforme o ministro da Casa Civil, o motivo da prorrogação é a necessidade de se chegar à raiz do problema. “Porque fizemos o primeiro enfrentamento pontual nas áreas aonde tivemos incêndios, mas é muito importante que se combata muitas das causas desses incêndios que estão ligados à questão do desmatamento ilegal, ao garimpo ilegal e é muito importante que esta ação de suporte das Forças Armadas com as forças estaduais sejam dadas às agências como é o caso do Ibama e ICMbio”, disse.
Sobre as demais propostas, Lorenzoni não apresentou nenhuma informação concreta. “Nós levamos junto também uma série de propostas que falam desde a regularização fundiária, passa também pelo zoneamento econômico-ecológico de toda a região, passa pela economia verde”, afirmou.
Um possível plano pode ser apresentado com base nas reuniões realizadas com os ministros e governadores nessa segunda-feira, 1º, em Belém (PA), e nesta terça em Manaus, respectivamente, mas não foi informado precisamente o teor do documento. “E também vamos levar ao governo federal, para talvez em pouco mais de dez dias nós possamos fazer uma nova reunião já apresentando um plano estruturado e estruturante para que a Amazônia brasileira consiga fazer aquilo que o presidente Bolsonaro sempre defendeu e continua defendendo que é fazer com que a produção e a preservação possam andar de mãos dadas”, disse Onyx Lorenzoni.
Fundo da Amazônia
De acordo com o governador do Amazonas, Wilson Lima, a manutenção do Fundo da Amazônia é uma reivindicação dos governadores, mas com mudanças propostas pelo governo federal. “Em uma conversa com o ministro Ricardo Sales, do Meio Ambiente, ele sinalizou que já há um entendimento muito avançado entre o governo federal e os governos da Noruega e da Alemanha para a retomada desses recursos, mas com um modelo de administração diferente, onde o governo federal e os governos dos estados tenham um poder maior decisório”, disse Lima.
O governador do Amazonas disse que as alterações são para que haja aproveitamento real do dinheiro. “O que a gente tem percebido ao longo do tempo é que esses investimentos são feitos em projetos pontuais que não atingem o todo, e nós precisamos que isso beneficie o máximo de moradores da Amazônia”.
Wilson Lima disse que outras fontes de recurso federais e de outros países estão mantidos. “O Amazonas, por exemplo, tem investimentos diretos do KFW, que é um banco de fomento alemão, que não passa pelo Fundo Amazônia”, disse. “Há outros países que têm interesse em nos ajudar, Banco Mundial por exemplo tem um interesse muito grande em ajudar o estado do Amazonas nessa política da bioeconomia”, completou.
Já o ministro da Casa Civil reforçou a autonomia de gestão do dinheiro do fundo defendida pelo presidente Jair Bolsonaro. “O Fundo Amazônia está preservado, está sendo dialogado. Agora, aqui no Brasil, no governo Bolsonaro, mandam os brasileiros, não manda os europeus não”, disse Onyx Lorenzoni.
Amazônia em chamas?
Onyx Lorenzoni repetiu o discurso da líder do governo Bolsonaro no Congresso Nacional, Joice Hasselmann, que esteve em Manaus na sexta-feira, 30, e criticou a imprensa quanto às queimadas. “A realidade que o Brasil tem hoje visto do satélite é que nós temos sim problemas pontuais, mas estão muito distantes de certos veículos que usam como apoio as matérias ‘floresta em chamas’. Floresta brasileira não está em chamas não, tem focos isolados”, disse.
De acordo com o governador do Amazonas, houve uma redução significativa dos focos de queimadas e do desmatamento desde a adesão do estado ao GLO no último dia 21 de agosto. “Quando em julho saíram os primeiros números o município de Apuí aparecia em primeiro lugar como um município onde havia a maior quantidade de focos de queimada. Nas últimas 48h o município de Apuí já saiu dessa lista dos dez primeiros. E os últimos que nós temos referentes aos dias 1º e 2 já tivemos uma redução de 24% em relação ao mesmo período do ano passado”, informou.
Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) mostram que de janeiro até 30 de agosto deste ano foram registrados no Amazonas 8.099 focos de incêndio, o que representa um aumento de 99% em relação ao no passado. Na região norte, os satélites do Inpe detectaram um aumento de 118% nos focos de incêndio, com registro de 41.190 focos. Os Estados com maior incidência são o Pará, com 12.057 focos, o Amazonas, com 8.099, e Rondônia, com 6.551 focos de calor. Na Amazônia Legal, o Mato Grosso é o líder de queimadas, com 16.182 focos registrados de janeiro a agosto.
(Colaborou Patrick Motta)
