

Do ATUAL
MANAUS — O senador e candidato ao Governo do Amazonas Omar Aziz (PSD) defendeu, nesta quinta-feira (17), a exploração sustentável de ouro no estado e criticou operações da Polícia Federal que resultaram na destruição de dragas e balsas utilizadas no garimpo ilegal no interior do Amazonas.
As declarações foram dadas em entrevista ao G6, grupo formado pelo ATUAL, BNC Amazonas, Portal Único, Portal do Marcos Santos, Portal Mário Adolfo e Blog do Hiel Levy.
Omar classificou como “hipocrisia” impedir a exploração do minério e defendeu a criação de cooperativas para regulamentar a atividade. Segundo ele, o Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) deveria atuar na liberação dessas organizações.
“Essa hipocrisia de a gente não poder explorar ouro sustentavelmente. Isso é uma hipocrisia. O Ipaam tinha que ter dado ontem ou anteontem liberação para criar as cooperativas”, afirmou.
O candidato disse que a atividade pode ser realizada com técnicas que reduzam os impactos ambientais. Como exemplo, citou um estudo que, segundo ele, foi realizado em Manicoré sobre a utilização de uma planta conhecida como pau-de-balsa em substituição ao mercúrio na separação do ouro.
O senador também defendeu que a exploração seja restrita ao leito dos rios, sem atingir as margens.
“Tem uma planta chamada pau-de-balsa que faz o mesmo efeito para separar o ferro do ouro. […] E também não permitir que as margens sejam exploradas. Tem que ser leito. Isso é extrativismo. É família”, afirmou.
Omar também abordou os custos da atividade e disse que quem trabalha na extração não necessariamente obtém grandes lucros. Segundo ele, parte significativa do valor obtido com o ouro é consumida pelas despesas da operação.
“Hoje a grama está em torno de R$ 700 uma grama de ouro. Para vender clandestinamente, o cara quer dar R$ 400. O cara acha que uma balsa daquela virou milionário. Não é verdade. 70% ou 80% é custo que ele tem para tirar o ouro”, disse.
Críticas à Polícia Federal
Omar criticou especificamente uma operação da Polícia Federal que, segundo ele, destruiu cerca de 500 balsas usadas na atividade.
O senador contestou a associação dos responsáveis pelas embarcações com o narcotráfico e afirmou que cobra da PF a identificação dos supostos traficantes que financiariam a atividade.
“A Polícia Federal faz uma batida lá, queimou 500 balsas. Até hoje eu estou esperando a PF me apresentar o nome do narcotraficante. O Ministério Público me apresentar o nome do traficante”, afirmou.
O candidato disse ainda que mantém a posição de que parte das pessoas envolvidas na exploração busca a atividade como forma de subsistência.
“Era um povo pobre tentando sobreviver, era um caboclo tentando sobreviver. E não adianta que não vou trocar de postura. Ele tem esse direito. A terra é dele e ele tem esse direito”, declarou.
Relação com Renato Junior
Questionado sobre como seria sua relação com o prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), aliado de seu adversário David Almeida (Avante), Omar disse que pretende manter diálogo institucional caso seja eleito.
“Vou chamar o prefeito, independente se me apoia ou não. Não é porque o prefeito não me apoia que eu não vou sentar. Primeiro que não vou servir ao prefeito, vou servir à cidade e ao estado”, afirmou.
Apoio a Eduardo Braga
Ao falar sobre a eleição para o Senado, Omar disse que o senador Eduardo Braga (MDB) é sua prioridade para um dos dois votos e que ainda analisa quem receberá o segundo.
“O meu voto é do Eduardo Braga. O segundo voto eu não tenho ainda. Estou analisando aí. Aqueles que tiverem o comprometimento maior com o programa que estou apresentando de governo e o compromisso de ajudar o estado, aí vai ter o meu segundo voto”, disse.
Segundo Omar, o apoio a Braga também leva em consideração a atuação do senador nas discussões sobre a reforma tributária e a manutenção de benefícios relacionados à Zona Franca de Manaus. “Hoje o que eu peço é para reconduzir o Eduardo ao Senado”, afirmou.
Omar lembrou ainda que os dois já estiveram em lados opostos politicamente. “A gente já foi adversário, mas não somos inimigos”, disse.
Uso da máquina pública
Na entrevista, Omar também foi questionado sobre o impacto da estrutura do poder público nas campanhas eleitorais e sobre possíveis mudanças na legislação para reduzir essa influência.
Ao lembrar da reeleição do ex-governador José Melo, afirmou que a estrutura governamental teve peso naquela disputa. “A máquina ajudou com certeza”, disse.
O senador afirmou ser favorável ao fim da possibilidade de reeleição para cargos do Executivo e disse que a mudança não avança no Congresso Nacional em razão de “interesses múltiplos”. “Sou a favor de acabar com a reeleição, inclusive até para presidente”, afirmou.
Para Omar, a alteração contribuiria para a democracia. “A melhor coisa para a democracia é acabar com a reeleição”, completou.
Estado de saúde
O candidato também falou sobre seu estado de saúde após sofrer uma insolação no último sábado (12) e precisar receber atendimento hospitalar.
Omar afirmou que o quadro ocorreu por falta de hidratação adequada e que retomou as atividades de campanha no dia seguinte.
“Estou bem graças a Deus. Eu tive uma insolação que, até por falta de cuidado comigo mesmo, se eu tivesse me hidratado mais… até dei uma de Amom: beba água. […] Senti calafrios. Fui me hidratar. Passei duas horas tomando soro na veia. No dia seguinte estava fazendo campanha de novo”, disse.
