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Dia a Dia.

Obras nos rios da Amazônia prejudicam habitantes, dizem ribeirinhos

22 de março de 2017 Dia a Dia.
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Hidrelétrica foi inaugurada no final de 2016 (Foto: PAC/Divulgação)
Hidrelétrica do Jirau, em Rondônia, foi inaugurada no final de 2016 (Foto: PAC/Divulgação)

MANAUS – Abundância de água e de conflitos. Esta é uma realidade de muitos municípios da Amazônia. Conhecida mundialmente pela biodiversidade e pela oferta de água, a região tem recebido obras com impacto socioambiental, principalmente hidrelétricas. Em Altamira, no Pará, a instalação da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, mudou a rotina de indígenas e ribeirinhos, por exemplo, como relata Gilliard Juruna, indígena morador da Volta Grande. “A gente é impactado diretamente e os problemas que vem acontecendo lá, até hoje nenhum foi resolvida ainda”.

A comunidade relata prejuízos relacionados a pesca, principalmente para quem sobrevive da atividade. Um Atlas dos Impactos da Usina Hidrelétrica de Belo Monte mostra esse impacto. A organizadora do estudo, Ana de Francesco, afirma que no mercado a venda de peixes diminuiu drasticamente. O peixe ornamental em Altamira acabou e o peixe de consumo também. Hoje muitos pescadores não conseguem nem sair para pescar porque o que eles conseguem pegar no rio não é suficiente nem pra pagar despesa da viagem.”

A Norte Energia, consórcio responsável pela construção da hidrelétrica, foi procurada pela reportagem mas não se manifestou sobre as queixas dos moradores. Em sua página na internet, o consórcio reforça que as populações tradicionais, indígenas e não indígenas, vêm sendo tratadas com o devido reconhecimento e respeito. O Consórcio informa, também, que estão sendo desenvolvidos mais de 100 programas e projetos ambientais para diminuir e compensar os impactos previstos pela implantação e operação da hidrelétrica.

A procuradora do Ministério Público Federal no Pará, Thais Santi, contesta. Ela reforça que judicialmente o Ministério Público tem buscado a garantia de direitos dos moradores da região. “As inúmeras demandas dessas famílias que o Ministério Público vem recebendo apontam que existe alguma coisa incoerente, de acordo com o monitoramento da Norte Energia que conclui que não há alteração e de acordo com a fala da comunidade que afirma que está difícil sobreviver na Volta Grande.”

A sobrevivência do Rio Xingu é preocupação de movimentos sociais. É o caso de Antônia Melo, integrante do Movimento Xingu Vivo Para Sempre. “A nossa luta continua sendo pelo Xingu vivo para sempre. Nós temos que ter responsabilidade com as nossas presentes e futuras gerações.”

Há quem garanta que além dos impactos ambientais, a usina não é economicamente viável, como explica o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, do ministério da Ciência e Tecnologia, Philip Fearnside. “O rio Xingu é um dos rios que tem mais variação no volume de água entre as estações. Durante meses não tem água suficiente para rodar nenhuma das 20 turbinas dessa grande casa de força e as turbinas são sempre a parte mais cara de uma hidrelétrica. Não faz sentido deixar turbinas ociosas assim durante muito tempo.”

Ainda assim, para a geração de energia, a Amazônia é a menina dos olhos dos governos. De acordo com o Plano Nacional de Energia 2030, do Ministério de Minas e Energia, a estimativa de potencial de geração hídrica no Brasil é de 260 mil megawatts, com um potencial a ser aproveitado de 126 mil megawatts. Mais de 70% desse potencial está nas bacias do Amazonas e do Tocantins/Araguaia.

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Assuntos Amazônia, brasil, hidrelétricas, PAC, prejuízo, ribeirinhos
Redação 22 de março de 2017
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