
MANAUS – Os bastidores da mais alta corte do Poder Judiciário revelam a movimentação intensa e silenciosa, em busca de uma hegemonia que parece ignorar o óbvio: a neutralidade da toga. Com a sabatina de Jorge Messias, o conhecido “Bessias” da Lava Jato, que ocorre nesta quarta (29), fica evidente a corrida para garantir uma maioria absoluta no STF. Há uma urgência palpável que esse domínio se consolide antes do próximo pleito eleitoral, e assim buscar assegurar a estabilidade de certas figuras políticas dentro do sistema.
Esse cenário complexo desenha-se a partir de um intrincado loteamento de forças e influências que moldam as decisões mais importantes do país. Nomes como os dos ministros Zanin e Mendonça representam as cotas de indicação direta de Lula e Bolsonaro, mas o esquema é muito mais profundo. Existem engrenagens perfeitamente integradas a esse sistema preestabelecido, envolvendo figuras experientes como os ministros Cassio, Dino, Toffoli, Moraes e Gilmar Mendes.
Mesmo os que estão chegando agora, como Paulo Gonet na PGR, já entram sob a sombra de compromissos que limitam sua independência. O ambiente interno transformou-se em um palco de articulações que lembram, em muitos aspectos, as campanhas políticas mais tradicionais e agressivas. Movimentações recentes indicam que ministros como Mendonça e Cassio operam em franca campanha nos corredores, provando que a toga não blinda a instituição das disputas de poder.
Pelo contrário, o que assistimos é o STF no centro de uma engrenagem que busca, a todo custo, o aparelhamento total de suas cadeiras. No entanto, esse projeto de controle absoluto ainda esbarra na postura de alguns poucos nomes que não se alinham totalmente a esse bloco de poder. Ministros como Fachin e Fux são vistos hoje como os únicos que permanecem fora desse esquema hegemônico, representando uma resistência silenciosa.
A vontade do sistema de retirar esses “dissidentes” é imensa, mas a execução dessa estratégia é incrivelmente delicada e espinhosa para os articuladores. O clima pesado nos bastidores desperta o medo de “acidentes” suspeitos, como quedas de jatinhos. Mas, além do risco à segurança pessoal, ultimamente, esses voos também têm servido para expor os ministros e suas negociatas.
A estratégia para garantir a hegemonia exige um malabarismo perigoso e manobras calculadas para remover quem possa oferecer resistência no futuro. Existe um esforço evidente, por exemplo, na tentativa de afastar o ministro Alexandre de Moraes, que após cumprir a missão para qual foi nomeado, agora é visto como uma peça central e incômoda. Ao mesmo tempo, trabalha-se nos bastidores a remoção da ministra Cármen Lúcia para abrir caminho para o próximo nome de confiança do sistema.
Recentemente, surgiu uma narrativa conveniente de que a ministra Cármen Lúcia estaria sofrendo pressões familiares para deixar o cargo de forma antecipada. Contudo, fica claro que essa justificativa é apenas uma cortina de fumaça para mascarar a pressa do sistema em acomodar Rodrigo Pacheco na vaga. No fim das contas, o que a sociedade brasileira assiste é a um tenso jogo de xadrez institucional, onde o rumo do país é decidido friamente.
Não se trata apenas da rotina jurídica da corte, mas de uma disputa implacável por domínio e sobrevivência antes que o cenário político mude. Cada troca de cadeiras e cada rumor de saída atende a uma máquina que não para de girar, ignorando os anseios da população. O cidadão comum acaba sendo apenas um espectador apreensivo de um futuro que está sendo escrito longe dos olhos do grande público.
Sérgio Augusto Costa da Silva – Delegado de Polícia, Bacharel em Direito e Teologia, pós-graduado em Direito Público, Penal e Processo Penal, MBA em Gestão Financeira e Contábil no Setor Público-UEA, Pós-graduando em Gestão de Tecnologia aplicada à Segurança de Dados-UEA e Mestrando em Segurança Pública- UEA.
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