A 15 dias do 1° turno das eleições, crescem relatos da violência verbal, psicológica e física perpetrada nas chamadas igrejas evangélicas, principalmente no segmento pentecostal e neopentecostal. Incentivados pelos discursos de ódio do presidente candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), parte do segmento neopentecostal se transformou em milícias extremistas de direita, no qual ele se agarrou com afinco para conseguir a reeleição.
Os púlpitos dessas igrejas foram transformados em palanques eleitorais, onde os pastores, seguindo o enredo do bolsonarismo, destilam discursos de ódio e de intolerância política, religiosa e cultural. Vociferam nos púlpitos, nas redes sociais, na mídia, uma avalanche de fake news, distorcem os fatos, bem ao estilo do presidente da República e seus seguidores. Atuam como extensão do chamado gabinete do ódio incrustado no Palácio do Planalto. Esse comportamento já é visível. Por outro lado, fiéis que se insurgem contra a politização nos cultos são alvos de ameaças e agressão verbal.
Um exemplo mais contundente foi registrado no dia 31 de agosto em Goiânia, quando um fiel foi baleado dentro da igreja por um policial militar, ao protestar contra a pregação eleitoral do pastor. A insanidade neste episódio é que mesmo a vítima baleada, o “culto eleitoral” não foi interrompido.
Uma das faces mais visíveis do extremismo, é o pastor Silas Malafaia. Líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e conservador, é a voz mais corrente dos neopentecostais, com discursos de ódio, intolerância, intolerância religiosa, política, cultural, costumes, diversidade de gênero. Malafaia de lábia habilidosa em pungar as economias de seu rebanho a título de um terreno no céu, segue estritamente a ideologia autoritária do Bolsonarismo. Ataca as instituições com suas falas virulentas. Logo ele que chegou a vestir camiseta com a foto da ex-presidente Dilma Rousseff em sua reeleição.
Os neopentecostais e seu extremismo religioso não é um fato novo no país. Ele ganhou força na década de 1970, com o surgimento da Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo “bispo” Edir Macedo em sua cruzada “moral”. Com milhares de templos abertos, na década de 1980, os evangélicos pentecostais e neopentecostais miraram além dos púlpitos. Com seu crescimento, enxergaram a oportunidade de penetrar no campo político, com seus líderes “ungindo” a candidatura de seus membros. Aqui no Amazonas, a Universal e Assembleia de Deus elegeram deputados estaduais e federais.
No Congresso Nacional, o voto da bancada evangélica com 181 parlamentares foi decisivo na aprovação do Projeto de Lei de flexibilização ao acesso às armas.
Com a campanha de Bolsonaro, eles encontraram um aliado para vociferarem suas pautas de costumes e políticos, já engajados no extremismo político. Ele encontrou no extremismo religioso, um terreno fértil para incutir suas ideias radicais, usando como fachada o conservadorismo, como a “Pátria, Deus e Família”.
Com isso, desde a campanha de 2018, Bolsonaro, católico não praticante, fincou-se no meio evangélico moldando as agressivas milícias evangélicas – cujos líderes possuem grande alcance midiático –, que o servem para os seus objetivos escusos. Tanto é que as hostes bolsonaristas incitaram a participação dos evangélicos nas manifestações deste 7 de setembro.
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