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© 2022 Amazonas Atual
José Ricardo

O petróleo (não) é nosso?

10 de outubro de 2019 José Ricardo
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tiago paiva

A Petrobrás é a empresa de petróleo com maior perspectiva de crescimento no mundo, graças às reservas do Pré-sal. Mas o Governo Bolsonaro pretende privatizar a empresa, vendendo suas estruturas em todo País. A Refinaria de Manaus está na lista para ser privatizada.

Em 2016, a Petrobrás tornou-se a maior produtora de petróleo da América Latina e a 10ª do mundo, superando a Venezuela e o México. O valor da empresa saltou de R$ 54 bilhões em 2002 para R$ 210 bilhões em 2016.

Esse crescimento ocorreu graças aos investimentos feitos nos Governos Lula e Dilma. De 2003 a 2010 foram investidos 170,6 bilhões de dólares. E no período da Dilma, 2011 a 2014, mais 171,2 bilhões, totalizando 341,8 bilhões de dólares. O maior investimento da história da Petrobrás.

A empresa investiu muito em tecnologia, na prospecção e na exploração de petróleo em águas profundas. Descobriram as reservas da camada do Pré-sal e o Brasil se tornou autossuficiente neste produto.

Por isso, o que o atual governo está fazendo é uma estratégia suicida, vendendo ativos que foram investimentos de recursos públicos, perdendo receitas públicas com as privatizações.

Neste processo, estão privatizando a malha de gasodutos, a Gaspetro, a BR Distribuidora (a maior distribuidora de combustível), a Liquigás (distribuidora de gás de cozinha), a área de biocombustíveis (biodiesel e etanol), a fábrica de fertilizantes, as termelétricas e as refinarias.

No Amazonas, já venderam o Gasoduto Coari – Manaus e agora a Refinaria de Manaus está na lista. Os maiores interessados são empresas estrangeiras da indústria petrolífera, tanto nas reservas do Pré-sal, quanto nos campos de exploração.

A Refinaria de Manaus é lucrativa. Abastece de combustível a maior parte da Região Norte. A privatização vai afetar a economia do Amazonas, ocasionando impactos sociais. A Refinaria Isaac Sabbá é a única empresa de refino do petróleo na Amazônia e estratégica. Como são estratégicas as riquezas naturais na Amazônia.

Esse desmonte atinge os trabalhadores da Petrobrás. Muitos estão ameaçados de ficar desempregados e de ter a redução de direitos trabalhistas. Não é concebível se vender uma empresa que dá lucro. Essas privatizações são a entrega de patrimônio público construído com recursos do povo para atender interesses particulares.

É uma perda da soberania. No passado, com muita mobilização, lutou-se em defesa do País com a frase: ‘O petróleo é nosso’. Mas agora, tudo indica que não será mais nosso.

Aproveito para parabenizar o Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (SindPetro), na pessoa de Marcos Ribeiro e Acácio Carneiro, como também toda direção, que luta bravamente pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras da categoria.

A todos, boa sorte!


José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos José Ricardo Wendling, Petrobras
Cleber Oliveira 10 de outubro de 2019
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