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Gina Moraes

O desastre na educação brasileira

7 de setembro de 2018 Gina Moraes
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O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), criado em 2007, é o indicador mais confiável para descrever o ensino no País: mede o fluxo escolar e as médias de desempenho nas avaliações desta etapa decisiva. Se a raiz é frágil, as árvores não se sustentam e seus frutos são mirrados, ou podres. Podemos, portanto, inferir que as mazelas enfrentadas pelo Brasil têm raízes na educação capenga que disponibilizamos às nossas crianças e jovens. Estamos retrocedendo.

Não nos causam surpresa os resultados da Educação Básica, divulgados nessa segunda-feira, 3 de setembro. O Rio de Janeiro, antiga Capital Federal e do Império, guardião do destruído Museu Nacional, está entre os Estados que mais tiveram diminuição no Ideb, ao lado do Amazonas, Roraima, Amapá e Bahia. Rio e Amazonas são referências destacadas da Indústria mais rentável da atualidade, o narcotráfico e seus sucedâneos: a violência e a insegurança.

O cenário é de desolação e impotência. No desenho estadual, vinte Unidades da Federação estão na mesma situação, abaixo do patamar projetado. Minas Gerais, um Estado historicamente dedicado às Letras, registrou queda significativa no indicador. Pará, Rio Grande do Norte e São Paulo estagnaram, com notas idênticas às obtidas na última avaliação.

Cadeias e presídios com superlotação, aparato policial mal treinado e mal-remunerado, altos e equivocados investimentos em segurança, desemprego, angústia social e desilusão generalizada com os gestores políticos da coisa pública.  De acordo com os resultados, nenhum Estado atingiu a meta para 2017 no Ensino Médio e cinco ainda registraram queda na nota. Em 2013, era moderado o abismo entre a qualidade esperada e a obtida: 0,2 ponto. Recuamos para 0,9 ponto no Ideb proposto para 2017, de 4,7 para 3,8.

As famílias que podem migram para o ensino privado, uma minoria, porque temem a péssima qualidade do ensino público, a despeito de pagarmos altos tributos, entre os mais altos do Planeta. O desespero aumenta ante o fato de que não recebemos absolutamente nada decente de volta.

Para ilustrar isso, um relato verídico de pessoas próximas. Uma família juntou suas economias para atender à demanda insurgente da filha mais velha, de quatorze anos, decidida a estudar um período no Canadá em virtude de tudo quanto tinha ouvido e lido a respeito. Após consultas a algumas famílias, fizeram contato com uma escola próximo a Toronto, Canadá, onde o ensino é tratado com letra maiúscula. Primeiro uma entrevista via Skype, que já traduziu o nível de seriedade e rigor com o assunto: O que você faz para tornar o mundo um lugar melhor? O que a deixa feliz? Quais atividades você desenvolve em prol da comunidade?

Dá para imaginar o choque da adolescente com a visão de mundo que as perguntas sugerem. É inevitável comparar com a realidade escolar que nossos jovens vivem aqui, em sala de aula.  Na segunda etapa, a família recebeu mensagem informando o valor anual da escola. Imediatamente agradeceu e respondeu que, pelo valor, não seria possível continuar com as pretensões.

Logo, o representante da Escola Canadense ligou para saber as razões detalhadamente. “Por que não seria possível enviar a aluna? ” Do outro lado do oceano, sem sequer ter visto a candidata, a não ser conhecer o teor de suas respostas, o Educador disse: “… o Canadá se preocupa demais com a educação dos jovens e como isso pode mudar o mundo, e gostaríamos de incluir sua filha num Programa de Bolsa de Estudo, mas, para isso, ela deverá submeter-se ao Comitê de Avaliação”.

Que País é esse? Para encurtar o relato, a família providenciou toda a documentação pedida, com a gratificação e a confiança de que que não era importante ter um gênio da Matemática em casa, mas, sim, alguém com aptidões e habilidades para pensar em um mundo com verdadeiros cidadãos, que respeitem o próximo, o meio ambiente e se dediquem a ter ações decentes.

De quebra, um grande aprendizado e uma grande frustração ao entender o que dizem os números do Ideb, indicadores do desastre do que é a educação no nosso País. Essa tragédia, atualmente vivida pela maioria das crianças e jovens brasileiros, precisa ter um fim. Pensemos nisso ao escolher nossos dirigentes, nossa representação parlamentar. Na insistência do dever patriótico e político de cada um de nós pode residir a libertação e a inauguração de um novo amanhã.

 


Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Amazonas, educação, Gina Moraes, Ideb
Redação 7 de setembro de 2018
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