
Do ATUAL
MANAUS – Pequenos rios da Bacia Amazônia que estão fora do monitoramento de órgãos ambientais poderão ser estudados a partir de imagens de satélites. Isso será possível com satélite SWOT (sigla para Topografia Oceânica de Água Superficial, em português), lançado nesta quinta-feira (15) da base de Vandenberg, na Califórnia (EUA).
A tecnologia permitirá ao Brasil ter informações desses canais naturais até o final de 2024. O monitoramento atual contempla apenas os principais rios e afluentes da região. O lançamento foi transmitido pelo Youtube.
O SWOT integra a primeira missão de hidrologia espacial para estudo de quase toda a água doce na superfície da região amazônica. O satélite pesa duas toneladas e tem 16 metros de comprimento. Será possível medir o nível de água de lagos, rios, reservatórios e suas variações ao longo do tempo.
“O volume de informação que o satélite fornecerá aumenta a qualidade de previsões de eventos extremos, mas também representa um salto na tecnologia de monitoramento hidrológico”, disse Daniel Moreira, engenheiro do Departamento de Hidrologia e da Divisão de Hidrologia Aplicada do SGB.

O engenheiro explica que o novo dispositivo produzirá imagens de elevação de superfície de água, “podendo-se obter o ângulo de rios com uma resolução sem precedentes, além de monitorar diversas áreas que nunca foram monitoradas. Tudo isso irá proporcionar informação inédita para vários estudos a serem realizados”.
A missão do satélite também vai permitir que oceanógrafos observem a dinâmica dos mares em uma escala de algumas dezenas de quilômetros, fornecerá informações sobre a circulação costeira e seus efeitos na vida marinha, nos ecossistemas e na qualidade da água.
Também auxiliará nos estudos em andamento sobre as mudanças climáticas e vai obter dados de países vizinhos que não têm redes de monitoramento. “Essa informação vai ajudar a prever cheias/secas, pois geralmente elas começam a dar os sinais nas cabeceiras dos grandes rios Amazônicos que nascem, por exemplo, na Bolívia ou na Colômbia. Assim, proporcionará melhor planejamento no território brasileiro”, explica Daniel Moreira.
O desenvolvimento do SWOT contou com a participação do SGB (Serviço Geológico do Brasil), em parceira com o CNES (Agência Espacial Francesa), IRD (Instituto Nacional da França para Pesquisa e Desenvolvimento) e a NASA.

