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Geral

‘Não tem pergunta decente para fazer’, diz Bolsonaro sobre dinheiro para primeira-dama

26 de agosto de 2020 Geral
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Da Folhapress

SÃO PAULO – Em visita à cidade de Ipatinga (MG), Jair Bolsonaro (sem partido) se recusou a comentar os repasses de R$ 89 mil feitos à sua mulher, Michelle Bolsonaro, por Fabrício Queiroz, investigado sob suspeita de integrar esquema de distribuição ilegal de recursos públicos no gabinete do então deputado estadual fluminense Flávio Bolsonaro.

“Com todo o respeito, não tem uma pergunta decente para fazer? Pelo amor de Deus”, disse o presidente ao ser questionado por repórter do jornal Folha de S.Paulo.

No domingo, 23, Bolsonaro ameaçou “encher de porrada” um repórter do jornal O Globo, que o perguntou sobre os depósitos.

Na segunda-feira, 24, em conversa reservada relatada à Folha de S.Paulo, o presidente reconheceu que exagerou na declaração, mas ele ainda não definiu se pedirá desculpas públicas. Ele tratou do assunto com ministros como Fábio Faria (Comunicações) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

Em editorial, a Folha de S.Paulo afirma que o arroubo de incivilidade lançado contra repórter do jornal O Globo indica que a anterior aparência de conduta mais branda do presidente “não passa de adaptação epidérmica, resultante momentânea do choque imposto pela inércia constitucional sobre a atormentada personalidade presidencial”.

“Em vez de produzir mais fumaça para desviar a atenção do caso Queiroz, seria melhor o presidente explicar por que R$ 89 mil em cheques do famigerado assessor acabaram na conta da primeira-dama”, finaliza o texto.

Logo após o ocorrido, um movimento nas redes sociais replicou a pergunta feita pelo jornalista ofendido “Presidente @jairbolsonaro, por que sua esposa, Michelle, recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?”.

Uma das personalidades que postou e retuitou a mensagem foi João Amoêdo, fundador do Novo, legenda de Romeu Zema, governador de Minas Gerais, que estava presente na cerimônia nesta quarta, 26. O ex-candidato à presidência postou: “Espero que todos os mandatários e futuros candidatos do Novo questionem o presidente, em especial os mais ativos nas redes. Esse é o papel daqueles que desejam um País onde todos são iguais perante a lei”.

Em entrevista à CNN, Romeu Zema disse que não tem acompanhado as questões nacionais de perto e que por isso se considera uma pessoa não apta a comentar aquilo que ele não conhece em detalhes, mas repudia qualquer tipo de agressão à imprensa.

Em março, governadores dos estados brasileiros assinaram uma carta em favor de medidas de isolamento social e suspensão de dívidas das unidades federativas. Zema foi um dos únicos que governadores que não assinaram a carta, junto com Coronel Marcos Rocha (PSL), de Rondônia.

Quebra de sigilo

A quebra do sigilo bancário do policial militar aposentado Fabrício Queiroz, no início de agosto, revelou novos repasses do amigo de Bolsonaro à sua esposa, Michelle. De acordo com a revista, os extratos colocam em dúvida a justificativa sobre empréstimos apresentada até aqui pelo presidente Bolsonaro.

Entre as transações de Queiroz, até o momento se sabia de repasses que somavam R$ 24 mil para a mulher do presidente. Mas, segundo a revista Crusoé, os cheques de Queiroz que caíram na conta de Michelle somam R$ 72 mil, e não os R$ 24 mil até então revelados nem os R$ 40 mil ditos pelo presidente.

A Folha de S.Paulo confirmou as informações obtidas pela revista. A reportagem também apurou que a mulher de Queiroz, Márcia Aguiar, repassou para Michelle R$ 17 mil de janeiro a junho de 2011. Foram cinco cheques de R$ 3.000 e um de R$ 2.000. Assim, no total, Queiroz e Márcia depositaram R$ 89 mil para primeira-dama de 2011 a 2016, em um total de 27 movimentações.

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Assuntos Fabrício Queiroz, Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro
Cleber Oliveira 26 de agosto de 2020
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