
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — Sediado em Manaus, o CCPI (Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia) será um “polo de investigações e operações conjuntas com respaldo da tecnologia de ponta”, afirmou o presidente Lula nesta terça-feira (9) no evento de inauguração do Centro, na capital amazonense.
“É a primeira vez na história da Amazônia que tantos atores se reúnem em um mesmo espaço físico em torno de um objetivo comum. Não precisamos de intervenções estrangeiras, nem de ameaças à nossa soberania. Somos perfeitamente capazes de sermos protagonistas das nossas próprias soluções. As palavras-chaves são: ação integrada e cooperação”, completou Lula.
O prédio, que está localizado no bairro Dom Pedro, na zona oeste de Manaus, vai reunir as polícias dos nove países da Panamazônia e representantes da Interpol, Europol e Ameripol, que atuarão em combate a crimes transfronteiriços. Eles usarão imagens de satélites e inteligência artificial para identificar, por exemplo, áreas de desmatamento e de garimpo.
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O evento de inauguração teve a presença do presidente da Colômbia, Gustavo Petro; e da vice-presidente do Equador, María José Pinto. O senador Omar Aziz (PSD), o governador de Roraima, Antonio Denarium, o vice-governador Tadeu de Souza (Avante) e o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), também estiveram no local.
O Centro foi pré-inaugurado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, em junho deste ano. Na ocasião, o ministro disse que a ideia era um “experimento”. Hoje, ele disse que a união dos países é necessária para combater o crime organizado, que ele chamou de “flagelo” e “praga internacional”.
“Há um binômio claro, uma interligação absolutamente indissolúvel entre segurança e soberania. As ameaças à segurança pública hoje para os distintos países constitui uma ameaça à própria soberania. É por isso que combate hoje não pode ser local, não pode ser apenas nacional, mas precisa ser um combate que tenha colaboração dos distinto países contra esse flagelo, essa verdadeira praga internacional que é o crime organizado que se espalha em todo o mundo”, afirmou Ricardo Lewandowski.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou apresentou o Centro como um sistema de defesa da Amazônia. Ele afirmou que “o quadro é pequeno”, que está em andamento um concurso público para incorporação de 2 mil policiais e a união dos países é essencial.
“Não há dúvida de que a cooperação e a integração das forças de segurança pública são hoje a chave para o êxito no enfrentamento do crime organizado, que há muito deixou de ser local e é transnacional. Ou vencemos juntos ou perdemos sozinhos. Segurança pública se faz com ações concretas e efetivas como essa que estamos fazendo nesse momento”, afirmou Rodrigues.
“É importante também investimento em tecnologia. Não temos como só pensar em mais policiais, mais viaturas e mais armas. Isso é fundamental, é essencial. Mas temos que investir em tecnologia, em conhecimento, em inteligência artificial, como é o caso desse centro”, completou o diretor da Polícia Federal.
A iniciativa integra o Plano Amazônia: Segurança e Soberania (AMAS), que recebeu investimento de R$ 318,5 milhões do Fundo Amazônia para ampliar a capacidade de inteligência, fiscalização e repressão a crimes que afetam a floresta. Além da instalação do CCPI, os recursos financiarão a locação de helicópteros e a aquisição de lanchas blindadas, viaturas e drones.
Além do ingresso de 2 mil novos policiais, o diretor da Polícia Federal anunciou a criação das delegacias de Meio Ambiente em Humaitá (AM) e Itaituba (PA).
Durante o discurso, Andrei Rodrigues afirmou que a Polícia Federal cumpre sua missão “de maneira institucional, atuando de forma independente, obediente à Constituição Federal e às leis, e focados cada vez mais em prestar melhores serviços ao nosso país com firmeza e sobriedade”.
“Eu desafio a todos os presentes a mencionar o nome de um policial federal que esteja em destaque, um ‘Japonês da Federal’ ou um ‘Hipster da Federal’. O tempo de entrevistas espalhafatosas, de pré-condenações de investigados, de imprensa na porta da casa de alvos de operações e a criação de mitos e heróis ficou no passado”, disse Rodrigues.
“Seguiremos firmes no desempenho das nossas atribuições e, sobretudo, no intransigente enfrentamento ao crime organizado em todas as suas facetas, na defesa das instituições democráticas do nosso país e na soberania do Brasil, como temos feito desde o início da nossa gestão com a segurança de quem cumpre a lei com responsabilidade”, completou o diretor da PF.
“Ataques covardes”
Andrei Rodrigues também rebateu o que classificou de “ataques covardes e vis” contra a Polícia Federal. Sem citar nomes, ele disse que “tresloucados” tentam intimidar a corporação, mas acabam “dando combustível” para que a instituição siga firme.
“Vivemos tempos desafiadores, mas registro uma vez mais que a Polícia federal não se afastará um milímetro de sua missão constitucional e nem se intimidará com ataques covardes e vis, venham de onde vieram. Omissão e covardia não fazem parte do vocabulário do policial federal. Ao contrário, quanto mais alguns tresloucados imaginam estar nos intimidando, estão, na verdade, dando combustível para seguirmos firmes na nossa luta em defesa do Brasil e dos brasileiros”, afirmou Rodrigues.
