
Do ATUAL
MANAUS – Não agredir é a maior demonstração de respeito à mulher, segundo a opinião de 85% das pessoas ouvidas pelo Observatório da Violência contra a Mulher no Amazonas. ‘Não tocar no corpo’ foi a citado por 45% das pessoas e dividir as tarefas domésticas por 35%.
A maioria das pessoas ouvidas foi mulher: 52,6%. Os homens foram 47,4% dos que emitiram opinião sobre percepção do machismo na sociedade.
Para Amanda Pinheiro, advogada e presidente do Instituto As Manas, que dá suporte jurídico e psicossocial a mulheres vítimas de violência, o respeito à mulher vai além de não agredí-la.
“A mulher deve ter a liberdade de exercer a sua autonomia e direitos como qualquer cidadão, sem sofrer retaliações ou ser interrompida, como se seu argumento ou opinar não tivesse crédito algum, como o ocorrido recentemente com a ministra de meio ambiente Marina Silva, sendo interrompida por diversas vezes”, diz Pinheiro.
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No caso do “não tocar no corpo”, trata-se de importunação sexual prevista na Lei 13.718/18. O crime é grave e a pena vai de um a cinco anos de prisão, gera prisão em flagrante delito e sem direito à fiança. O caso mais comum é o assédio sofrido por mulheres no transporte público de passageiros.
“A maioria da população carece do entendimento, da informação de que existem diversos tipos de violência contra a mulher. Existe a violência patrimonial, a violência psicológica, a violência sexual. Então, as pessoas precisam ter esse conhecimento que não é apenas agressão física. E, muitas mulheres deixam de denunciar porque acham que somente existe a violência física”, diz Manoela Lucena, advogada criminalista.
Para Lucena, a violência psicológica é uma das violências mais comuns e supera a violência física. “Como advogada, eu vejo que falta muito acolhimento às vítimas porque as mulheres, quando vão denunciar na delegacia, elas não são acolhidas, são mal atendidas ali no balcão. Elas não recebem o devido tratamento, ainda mais numa situação de vulnerabilidade em que a mulher se encontra naquele momento, quando foi agredida, violentada, seja física ou psicologicamente. E, na maioria dos casos, as mulheres também desistem das denúncias.”, diz a criminalista.
Ainda conforme Lucena, as vítimas de violência chegam numa fase do processo que elas retiram a denúncia e dizem que não era verdade. “Elas estão tão abaladas e proferiram uma notícia falsa naquele momento e denunciaram falsamente o agressor. Por quê isso? Por medo, por medo de morrer, são ameaçadas de morte. Então, o que é preciso fazer? Melhorar o acolhimento dessas vítimas quando chegam na delegacia para denunciar e fazer um trabalho de fortalecimento para que essa mulher denuncie e não tenha medo”, diz.
“Não fazer cantada” foi a quarta situação citada pelos entrevistados como sinal de respeito à mulher. Apenas 8,6% disseram que é “pagar as contas da casa”. Confira no gráfico o perfil dos entrevistados e o resultado da sondagem.

