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Economia

Na pandemia, parte do PIB migra das capitais para o interior

16 de dezembro de 2022 Economia
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Polo Industrial de Manaus (Foto: Divulgação/Suframa)
No Amazonas, PIB é concentrado em Manaus que abriga o polo industrial da Zona Franca (Foto: Divulgação/Suframa)
Por Leonardo Vieceli, da Folhapress

RIO DE JANEIRO – Com o impacto da pandemia sobre o setor de serviços, as capitais voltaram a perder participação no PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2020, aponta pesquisa divulgada nesta sexta-feira (16) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o órgão, essas metrópoles responderam por 29,7% do PIB no ano inicial da crise sanitária. É a menor participação das capitais no indicador de atividade econômica desde o início da série histórica, em 2002.

O resultado representa uma perda de 1,7 ponto percentual ante 2019, quando a taxa estava em 31,5%. A participação das capitais era de 36,1% em 2002, no começo da série.

Os demais municípios responderam por 70,3% do PIB nacional em 2020. A participação ficou 1,7 ponto percentual acima da registrada em 2019 (68,5%). A taxa era de 63,9% no ano inicial da série.

Os dados integram a pesquisa do PIB dos municípios. Na visão de analistas do IBGE, os dados reforçam a tendência de “desconcentração” da atividade econômica ao longo dos anos.

Em outras palavras, é como se uma parte do PIB tivesse migrado dos grandes centros urbanos para o interior do país, apesar de as metrópoles seguirem com um peso relevante no indicador.

Antes da pandemia, os demais municípios já ganhavam participação devido ao avanço de atividades desenvolvidas longe das capitais, incluindo aquelas voltadas para commodities como soja e minério de ferro.

Já em 2020, enquanto segmentos como a agropecuária permaneceram com a demanda aquecida, o setor de serviços foi prejudicado pelas restrições à circulação de pessoas.

Isso, diz o instituto, contribuiu para a perda de participação das capitais, já que os serviços estão mais concentrados nos grandes centros urbanos.

O setor envolve atividades diversas, desde o comércio até os transportes e as áreas de educação e saúde. “As capitais sentiram mais o peso da pandemia”, afirmou Luiz Antônio de Sá, analista do IBGE.

São Paulo responde por 9,8% do PIB

Em 2020, a cidade de São Paulo concentrou 9,8% do PIB do país. O resultado representa uma perda de 0,49 ponto percentual frente a 2019.

Mesmo assim, a capital paulista segue com folga no topo do ranking. É seguida por Rio de Janeiro (4,4%), Brasília (3,5%), Belo Horizonte (1,3%), Manaus (1,2%), Curitiba (1,2%), Osasco (1%) e Porto Alegre (1%).

Dos 25 maiores PIBs municipais, 11 são de capitais. Esses 25 locais respondem por 34,2% do indicador nacional.

Na passagem de 2019 para 2020, São Paulo (-0,49 ponto percentual), Rio de Janeiro (-0,45 ponto percentual), Brasília (-0,21 ponto percentual), Curitiba (-0,14 ponto percentual) e a paranaense São José dos Pinhais (-0,12 ponto percentual) tiveram as maiores perdas de participação.

São Paulo, Rio e Curitiba foram afetadas pelo comércio. Brasília teve queda associada a atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, diz o IBGE.

No sentido contrário, Parauapebas e Canaã dos Carajás, no Pará, foram os municípios que mais ganharam participação no PIB em 2020, frente a 2019. Os avanços foram de 0,19 ponto percentual e 0,15 ponto percentual, respectivamente.

Com isso, as duas cidades passaram a responder por 0,50% e 0,30% do PIB. O avanço na extração de minério de ferro foi apontado pelo IBGE como o principal responsável pelos resultados da dupla.

Manaus teve o terceiro maior ganho de participação entre os municípios em 2020. A alta foi de 0,06 ponto percentual, para 1,21% do PIB nacional. A capital amazonense, que reúne empresas da Zona Franca, teve impacto da indústria de transformação.

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Murilo Rodrigues 16 de dezembro de 2022
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