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Dia a Dia

Na defesa da Amazônia, Exército enfrenta também o crime organizado

22 de janeiro de 2025 Dia a Dia
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General Costa Neves: "Na Amazônia, Exército não pode se restringir a uma só atividade" (Foto: Milton Almeida/AM ATUAL)
General Costa Neves: “Na Amazônia, Exército não pode se restringir a uma só atividade” (Foto: Milton Almeida/AM ATUAL)
Por Milton Almeida, do ATUAL

MANAUS – Nos exercícios militares na Amazônia o Exército se deparou com ações do crime organizado que resultaram em apreensões de drogas, madeira, armas e destruição de dragas de garimpo ilegal. O enfrentamento do crime organizado não é missão militar, mas se tornou inevitável com o avanço dos criminosos pela fronteira amazônica.

Para o CMA (Comando Militar da Amazônia), a defesa da região não se faz apenas com homens e mulheres armados de fuzil. É fundamental o fortalecimento das instituições e da presença do Estado, o fomento à ciência, à pesquisa e à inovação, além de estimular a sociedade a “pensar a defesa”.

O entendimento foi defendido pelo comandante do CMA, general Ricardo Augusto Ferreira Costa Neves, ao apresentar balanço das operações militares na região em 2024 na manhã desta quarta-feira (22), em Manaus. Além da defesa e do enfrentamento do crime organizado, o Exército atua também em ações sociais.

“Considerando a peculiaridade da floresta amazônica, o Exército não pode se restringir a uma só atividade”, diz Costa Neves.

As apreensões incluem 6 mil m3 de madeira; 178 quilos de cocaína e 4 toneladas de pasta base; 3 toneladas de maconha tipo skunk; e 231 kg de mercúrio.Foram inutilizadas 188 dragas e balsas de garimpo ilegal e 1.963 motores. Pelos cálculos do CMA, o material apreendido ou destruído pelo Exército foi avaliado em R$ 1,5 bilhão.

“A sociedade também se beneficia dos nossos resultados. Se nós não tivéssemos apreendido esse mercúrio, ele estaria contaminando os nossos rios e os nossos peixes. É um número expressivo que mostra a eficácia das nossas operações”, disse Costa Neves.

Investimento e resultados

Em números, as ações do Exército impressionam. Nas operações Ágata, que ocorrem em vários níveis, foram realizadas 2.231 patrulhas fluviais, 871 terrestres, 9.275 inspeções em embarcações e 26.720 em veículos. Os resultados apontam que para cada R$ 1 investido pelo Estado, o CMA obteve R$ 670 de resultados tangíveis.

“Temos um desafio logístico muito grande devido às dimensões do nosso país. Conseguimos trazer materiais de todas as partes do Brasil para reforçar o nosso comando. O Exército Brasileiro elegeu a Amazônia como área estratégica prioritária. Esse resultado é também o resultado de todas as equipes que trabalham juntas”, diz Costa Neves.

O general acrescentou: “Nós somos mais ou menos 20 mil homens e mulheres no CMA, desse total 8,8 mil estão na faixa de fronteira. Então, se a nossa missão é estar junto à fronteira, quase a metade do nosso efetivo está desdobrado na faixa de fronteira”.

Indígenas

Na Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior do Brasil e onde encontra-se a maior concentração de povos isolados do mundo, o CMA esteve presente em 246 dias de operações. Os militares navegaram por 10.352 km de rios, fizeram 1.327 inspeções em embarcações e 45 reconhecimentos de fronteira que resultaram em 3.084 kg de caça e pesca ilegal apreendidos, assim como 4.203 kg de drogas, 2304m³ madeira, 739 unidades de munição, 43 quelônios e 9.596 ovos de quelônios. As ações cívico-sociais levaram atendimentos médico e odontológico a 3.009 ribeirinhos e 1.931 indígenas.

“Ficamos o ano inteiro na Terra Indígena Yanomami, onde realizamos atividades humanitárias e distribuímos em janeiro, fevereiro e março 20 mil cestas de alimentos, patrulhamos mais de 9 mil quilômetros nos rios e realizamos operações noturnas para combater crimes. O Exército construiu duas bases, aumentando a presença do estado brasileiro na terra indígena. Portanto, o Exército está comprometido com o bem-estar dos yanomami”, disse o comandante do CMA.

Tecnologia

Nas ações o CMA utilizou recursos tecnológicos como o drone Nauru 500-C e o radar Saber-M60. Ainda entre os indicadores ocorreram 161 prisões, apreensão de 133 toneladas de cassiterita, 26 aeronaves, destruição de 419 acampamentos de garimpo e de 51 pistas de pouso ilegais. Houve uma redução de 96,8% na abertura de novos garimpos em relação a 2022 e de 91% na área de garimpos ativos no período de março a dezembro de 2024. Conforme o CMA, esses recursos apreendidos foram avaliados e, 273 milhões.

O CMA atua na Amazônia Ocidental abrangendo os Estados do Amazonas, Rondônia, Roraima e Acre, controla 62% das fronteiras terrestres do Brasil com 9.762 km. São 63 organizações militares e 23 pelotões especiais de fronteira com 19 mil soldados.

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Assuntos Amazônia, Comando Militar da Amazônia, crime organizado, destaque, Exército brasileiro, garimpo ilegal, tráfico de drogas
Milton Almeida 22 de janeiro de 2025
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