MANAUS – Os espaços de poder para as mulheres negras na Pan-Amazônia é o tema do 4° Encontro de Mulheres Afro-Ameríndias e Caribenhas que se realiza neste sábado, 25, em Manaus. Representantes da Venezuela, de Cuba, e ativistas dos movimentos Negro, Indígena, de Mulheres, Culturais e da Juventude no Amazonas participam das atividades, no Centro Universitário Nilton Lins, Bloco J, Parque das Laranjeiras, zona norte.
Pela manhã, os convidados foram recepcionados ao ritmo de berimbau. Em seguida, foi realizada a primeira exposição com a presidente da Fundação Cultural Palmares, Maria Aparecida da Silva Abreu, Cida Abreu, e a professora doutora Heloísa Helena Corrêa da Silva, da Universidade Federal do Amazonas, mediadas pela secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), a assistente social Graça Prola.
Cida Abreu é ativista do movimento negro nacional e segunda mulher a presidente a Palmares, vinculada ao Ministério da Cultura (Minc), em 26 anos de existência dessa fundação. Para Cida Abreu “assumir a presidência da Palmares representa uma grande responsabilidade, porque se trata da primeira organização governamental de resistência ao racismo no Brasil e que hoje representa um espaço de garantias de direitos, resultantes das lutas de milhões de pessoas.”
Às 14h30, as pesquisadoras Patrícia de Melo Sampaio (Ufam), autora do livro “O Fim do Silêncio: a presença negra na Amazônia” (2012), e Otacila Barreto participam de uma rodada de conversa mediada pelo ativista cultural Cristiano Chíxaro. Patrícia Sampaio é professora-doutora da Ufam e tem se dedicado a pesquisa a história dos negros na Amazônia. A tucana Otacila é mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA-ICHL-Ufam).
Passeios culturais
O 4° Encontro das Mulheres Afro-Amerindias e Caribenhas irá proporcionar passeios sobre as culturas da Amazônia. A feira “Saberes & Sabores” apresentará uma síntese da gastronomia afro-ameríndia e caribenha. A Pajé e Cia. de Dança fará o espetáculo “As Novas Amazônidas”, no encerramento do encontro.
No Amazonas, como resultado das mobilizações dos movimentos negros e indígenas da Pan-Amazônica, o Fórum de Mulheres Afro-Amerindias e Caribenhas realiza desde 2012 os encontros temáticos. A escolha pelo 25 de julho faz parte dos esforços latino-americanos para reforçar e ampliar as atividades nessa data histórica como dia de luta das mulheres negras, indígenas latino-americanas e caribenhas. A data passou a ser reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992, como dia de luta e de resistência negra a todas as formas de racismo.
