
Por Amanda Lino, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – Uma motorista dos EUA está processando a Tesla com pedido de indenização de US$ 10 milhões. Até aí, tudo bem, certo? Processos não são incomuns nesse meio. A grande questão é o motivo: ela alega que o carro é potente demais. Sim, forte demais para ser controlado. Parece estranho? Um pouco.
Alemzewd Lawgalet, de 59 anos, afirma que sofreu ferimentos graves depois de perder o controle de um Tesla Model Y durante um test drive, sem ter sido avisada de que o veículo estava configurado no modo de aceleração “Insane”, que libera o máximo desempenho do SUV elétrico.
Segundo a ação judicial, Lawgalet nunca havia dirigido um carro elétrico. Antes do teste, ela informou essa condição à equipe da Tesla e, de acordo com o processo divulgado pelo jornal Independent, recebeu a garantia de que o veículo “funcionava como um carro a combustão”.
Ainda conforme a denúncia, ninguém explicou que o Model Y possuía diferentes modos de aceleração nem que o carro havia sido configurado no modo “Insane”, o mais agressivo disponível para o modelo utilizado no test drive. Nessa configuração, o veículo é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em cerca de 3,3 segundos.
A autora da ação relata que, após deixar uma rodovia por causa do comportamento do sistema de frenagem regenerativa – outro recurso que ela afirma desconhecer -, retomou a velocidade em um semáforo. Nesse momento, o veículo teria acelerado muito mais do que ela esperava, fazendo com que perdesse o controle e atingisse um salão comercial.
Negligência
No processo, Lawgalet afirma que sofreu lesões permanentes, dores físicas e emocionais, além de prejuízos financeiros decorrentes do acidente.
A ação pede mais de US$ 10 milhões por danos compensatórios e outros US$ 350 mil em danos punitivos. A defesa dela sustenta que a Tesla agiu com negligência ao permitir que uma motorista sem experiência com veículos elétricos realizasse o test drive sem orientação adequada sobre os sistemas do carro e sobre o modo de desempenho selecionado.
O que diz a Tesla
Segundo documentos citados pela imprensa dos Estados Unidos, a Tesla nega responsabilidade pelo acidente e afirma que a motorista não tomou os cuidados necessários durante a condução do veículo. A empresa também sustenta que ela deixou de agir para minimizar os próprios danos. Até o momento, o processo segue em tramitação e ainda não há decisão judicial sobre o caso.
Modo ‘Insane’
Os gamers de plantão provavelmente já entenderam o que é o “Insane”. Se você não faz parte dessa comunidade, traduza para “muito louco”. Ou seja, muito potente.
O modo “Insane” é uma configuração de desempenho disponível em algumas versões do Tesla Model Y. Quando ativado, ele libera a aceleração máxima do veículo, tornando as respostas ao pedal muito mais rápidas do que nos modos convencionais. O que, claro, exige mais controle da pessoa na condução.
De acordo com a ação, essa configuração não pode ser acionada de forma acidental, já que exige a navegação por menus específicos na central multimídia. Justamente por isso, a autora do processo argumenta que o modo teria sido selecionado antes do início do test drive, sem que ela fosse informada.
